Lançado para recolocar os Correios no azul até 2027, o plano de recuperação da estatal — sustentado por um empréstimo de R$ 12 bilhões com garantia da União — tem se mostrado insuficiente para reverter a deterioração financeira da empresa.

Mesmo após medidas de reestruturação que incluíram programas de demissão voluntária (PDVs), fechamento de unidades e venda de ativos, os Correios registraram prejuízo de R$ 3,16 bilhões apenas no primeiro trimestre de 2026, quase o dobro do resultado negativo observado no mesmo período do ano anterior.

Mantido esse ritmo, a estatal poderá superar, neste ano, o prejuízo recorde de R$ 8,5 bilhões registrado em 2025. Nesse cenário, o governo estuda injetar mais recursos para financiar a continuidade da reestruturação.

Para especialistas ouvidos pela Gazeta do Povo, os números indicam que as ações adotadas até agora aliviam a pressão financeira de curto prazo, mas não enfrentam problemas estruturais que tem corroído a competitividade da estatal frente ao avanço de gigantes privados da logística e do comércio eletrônico.

“O plano de recuperação ajudou a estabilizar um pouco a operação, mas não capturou os resultados esperados e não deve capturar. Ele não é suficiente”, afirma Rodrigo Barros, sócio da Andersen Consulting especializado em logística e supply chain.

Crise se agravou nos últimos anos

A deterioração das contas dos Correios acelerou nos últimos. Depois de registrar lucro de R$ 3,7 bilhões em 2021, a estatal passou a acumular sucessivos resultados negativos. O prejuízo foi de R$ 768 milhões em 2022 e de R$ 597 milhões em 2023, primeiro ano do governo Lula (PT).

A partir de 2024, as perdas saltaram para R$ 2,6 bilhões e, no ano seguinte, houve prejuízo recorde de R$ 8,5 bilhões, o pior resultado da história.

Foi nesse contexto que os Correios mergulharam em uma crise sem precedentes, marcada por trocas no comando da estatal, embates com sindicatos, negativa de empréstimos por bancos privados, venda de ativos e programas de demissão voluntária.

 

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