“Racismo climático”, feminismo e “reparações históricas” foram alguns dos temas abordados na prova da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) para candidatos da cota para transgêneros. A “cota trans”, como foi chamada, foi denunciada ao Ministério Público Federal (MPF) na última semana, após uma ex-major da Polícia Militar (PM) passar em Medicina por meio desse processo seletivo extra.

A universidade realizou a prova para pessoas trans em novembro de 2025 e disponibiliza em seu site cópia do questionário aplicado. Enquanto o vestibular tradicional da universidade teve 80 questões, perguntas discursivas e redação, essa prova especial apresentou 30 perguntas e redação.

O tema proposto para dissertação foi “racismo climático”, e os candidatos poderiam escrever sobre os impactos da crise climática na sociedade e a desigualdade, ou fazer um “relato pessoal” do impacto que dessa crise em sua vida.

Para isso, a prova apresentava um texto de apoio sobre “justiça climática”, uma imagem questionando “o que é o racismo climático?” e um quadro sobre “ansiedade climática”, doença que afetaria, principalmente, “gerações mais novas”.

Já o restante da prova foi distribuído em 10 perguntas de língua portuguesa e 20 de conhecimentos gerais, com a primeira questão abordando o tema do racismo. “Tinha ouvido falar que chamavam a mesinha ao lado da cama de ‘criado-mudo’ porque antigamente quem ficava ao lado da cama dos senhores era uma pessoa escravizada”, informa o texto a ser interpretado pelo candidato.

“Independentemente de quando deram o nome para o móvel, com certeza foi pensado nos empregados e nas empregadas que inventaram esse ‘criado-mudo’. Eu, de certa forma, fui criada-muda. Não seria mais”, continuava o trecho da prova de português que, logo abaixo, faria referência a “brancos”.

Em texto a respeito da pandemia de Covid-19, usado como base para outra questão, o autor seria questionado a respeito do que teria aprendido com esse momento vivido entre 2019 e 2021.

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