Quem passou pelo Congresso Nacional nesta quarta-feira, 16, encontrou um cenário bem diferente dos dias de votação: corredores vazios, pouca movimentação política e parlamentares longe de Brasília. A situação chama atenção em meio à crise no Supremo Tribunal Federal (STF), que já provoca reações no Legislativo.

No Senado, o cenário ganhou um elemento adicional. O senador Carlos Viana (PSD-MG) afirmou ter encontrado as portas do plenário trancadas ao chegar à Casa. Segundo o parlamentar, servidores informaram que a ordem para manter o local fechado partiu da presidência do Senado, comandada por Davi Alcolumbre (União-AP).

Em nota, Viana associou o episódio à crise no STF e acusou Alcolumbre de se omitir diante das controvérsias envolvendo integrantes da Corte. “A resposta veio hoje, na forma de uma porta trancada”, declarou o integrante do PSD. O senador mineiro também cobrou o andamento dos pedidos de impeachment contra ministros do Supremo e defendeu o afastamento de Alcolumbre da presidência da Casa.

Viana afirmou ainda que tenta há 20 dias dialogar com Alcolumbre sobre o que classificou como as “questões mais graves” enfrentadas pelo Senado. Na manifestação, destacou que cabe à Casa analisar os pedidos de impeachment contra ministros do STF e cobrou uma atuação do Conselho de Ética.

Conselho de Ética

A disputa entre os dois senadores, contudo, antecede o episódio desta quarta-feira. Viana já protocolou no Conselho de Ética do Senado uma petição para pedir a abertura de procedimento disciplinar contra Alcolumbre.

O contraste marca o ambiente em Brasília: enquanto a crise no STF eleva a temperatura política na Praça dos Três Poderes, o Congresso atravessa dias de esvaziamento — e, no Senado, a tensão chegou às portas fechadas do plenário.

Congresso e crise no STF

Carlos Viana não é o único parlamentar a cobrar medidas do Congresso Nacional diante da crise do STF. O ministro Alexandre de Moraes, por exemplo, é alvo de mais de 60 pedidos de impeachment feito por congressistas.

A crise no Supremo ganhou novo capítulo nesta terça-feira. O plenário da Corte se encontrou para, inicialmente, discutir se Moraes deveria ou não ser alvo de investigação formal em decorrência de sua relação com Daniel Vorcaro, ex-controlador do antigo Banco Master. Conforme a Polícia Federal, os dois trocaram mais de 50 mensagens, com o ex-banqueiro chegando a perguntar se deveria fugir do Brasil.

A sessão no STF, no entanto, contou com trocas de farpas entre magistrados e acabou sem definição. Isso porque o ministro Flávio Dino pediu vista (mais tempo de análise) para votar se o caso contra Moraes deve ser apreciado em conjunto com o caso contra André Mendonça.

Relator dos processos referentes ao Master no Supremo, Mendonça foi acusado de ter cometido abuso de autoridade por Moraes. Ele nega quaisquer irregularidades em sua condução nesse sentido.

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