O deputado estadual Cláudio Pinho (PSDB) afirmou, na manhã da última terça-feira (30), que o principal responsável pela interrupção de uma operação policial em uma fazenda com cerca de 290 mil pés de maconha é o governador Elmano de Freitas (PT). “A maior culpa é do governador. Ele deveria assumir o erro e, no mínimo, trocar o delegado-geral para dar exemplo à sociedade cearense”, declarou o tucano.

Para o parlamentar, a condução da ação pelas forças de segurança do Estado, que teria deixado de concluir a destruição total da plantação e de recolher documentos e anotações encontrados no local, evidencia que “o erro vem de cima”. Pinho avalia que nem o governador nem a cúpula da segurança pública demonstram “autoridade” e “compromisso”, o que, segundo ele, impacta diretamente na atuação das equipes em campo.

“Se tinha um delegado-geral na operação, ele passa a ser a maior autoridade no local. Portanto, não adianta o governo tentar transferir responsabilidade”, afirmou. Na avaliação do deputado, a hierarquia da segurança pública torna inevitável a responsabilização da gestão superior. A declaração ocorre após o ex- -secretário da Casa Civil, Chagas Vieira (PDT), rebater críticas e atribuir parte da responsabilidade a um policial envolvido na ação.

Em publicação nas redes sociais, ele afirmou que “não se pode transformar o erro de um agente em espetáculo político para atacar o governo e a polícia”. Denúncia Pinho, por sua vez, também citou a repercussão provocada pelo deputado federal André Fernandes (PL), que divulgou imagens apontando a permanência da plantação no local.

“Se não fosse a oposição ter ido até lá e mostrado a situação, o governador não teria ido se manifestar”, disse. André Fernandes e o deputado estadual Alcides Fernandes (PL), seu pai, estiveram no Ministério Público do Ceará, no Ministério Público Federal e na Polícia Federal para solicitar investigação sobre o caso.

O parlamentar afirmou que havia grande quantidade de droga ainda no local, além de objetos e registros que poderiam auxiliar nas apurações. Na semana passada, a Polícia Civil havia divulgado a localização da plantação, estimada em 290 mil pés de maconha. A operação foi inicialmente apresentada como uma grande apreensão, mas a repercussão posterior levantou questionamentos sobre a conclusão dos trabalhos no local.

“Se não houve a destruição completa, nem a devida apreensão de materiais e identificação dos responsáveis, o caso precisa ser aprofundado”, concluiu Cláudio Pinho.

Ciro Gomes

O pré-candidato ao governo do Ceará, Ciro Gomes (PSDB), também fez críticas e questionamentos ao governador Elmano de Freitas sobre a operação da Polícia Civil que localizou uma plantação de maconha no município de Acopiara, apontada como uma das maiores já encontradas no Estado.

O ex-ministro classificou o caso como um “escândalo grave” e cobrou esclarecimentos sobre a interrupção da erradicação da lavoura e da coleta de provas, apontando que a ação teria sido anunciada com grande repercussão, mas não teria sido concluída integralmente.

Segundo Ciro, a operação foi apresentada pela Polícia Civil como uma das maiores apreensões recentes de maconha no Ceará, com destaque na imprensa estadual e nacional, incluindo imagens da destruição parcial da plantação.

No entanto, ele afirma que os trabalhos não teriam sido finalizados, o que, na avaliação dele, compromete o resultado da ação. Para o pré-candidato, o cenário observado em Acopiara não se limita a uma falha operacional e deve ser analisado de forma mais ampla.

Ciro sustenta que o episódio se soma a alertas que ele já vinha fazendo sobre a segurança pública e afirmou que a situação pode indicar uma “possível interferência de facções criminosas na política”, defendendo apuração rigorosa e uma resposta imediata do Estado.

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