De acordo com mensagens obtidas pela Polícia Federal (PF), o ex-senador e ex-deputado federal Chiquinho Feitosa, presidente do Republicanos no Ceará, teria aconselhado o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, pivô do escândalo do Banco Master, a se aproximar do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes. No estado do Ceará, Chiquinho é aliado próximo do governador Elmano de Freitas.
Na época das mensagens citadas, em 2024, Gilmar era casado com Guiomar Mendes, irmã de Feitosa. Segundo o jornal O Globo, Chiquinho se referia a Vorcaro como “irmão” e “grande amigo”, além de se apresentar como uma ponte entre o banqueiro e o ministro do STF.
Na época em que as mensagens sinalizam que Chiquinho teria aconselhado Vorcaro a buscar Mendes, o dono do Master tentava interlocução com a Corte para tratar de julgamento sobre precatórios do setor sucroalcooleiro, na Segunda Turma do STF. A análise do caso sobre os precatórios havia sido suspensa um mês antes após pedidos de Gilmar.
O processo tratava de um recurso da União contra a destilaria Alcídia, que tentava a reparação de prejuízos provocados pela política de fixação de preços do governo nos anos 1980. A ação envolvia pagamentos bilionários e interessava diretamente o Banco Master.
O processo foi apreciado em outubro de 2024, quando o recurso da União foi derrotado por 3 a 2. Os dois votos que ficaram do lado do Estado vieram de Gilmar Mendes e de André Mendonça, com quem o Gilmar trava atualmente uma guerra pública por conta da condução das investigações do caso Master.
Os ministros que votaram a favor da usina foram Edson Fachin, Dias Toffoli e Kassio Nunes Marques. No relatório que a PF entregou ao STF sobre a relação de Dias Toffoli com o dono do Master, a posição dele no julgamento da usina aparece como um possível motivo de contrapartida na compra de uma fatia do Resort Tayayá pelo grupo de Vorcaro por R$ 35 milhões.
Encontro entre Chiquinho, Guiomar e Vorcaro








