As exportações de calçados do Ceará para a Argentina despencaram 84,6% em valor nos sete primeiros meses de 2026 ante igual período de 2025, de US$ 17,6 milhões para US$ 2,7 milhões. Em pares, a queda foi de 84,5%, passando de 1.139.419 para 176.421.

Os dados foram levantados pela equipe de Negócios do Diário do Nordeste e são do Comex Stat, plataforma oficial de estatísticas do comércio exterior brasileiro.

A retração faz parte de um cenário geral de queda das exportações calçadistas cearenses. No mesmo período, as vendas externas de calçados do Estado caíram 28% em valor e 19,4% em pares.

Para o conselheiro do Conselho Regional de Economia do Ceará (Corecon-CE), Davi Azim, a redução das exportações para a Argentina está inserida em um contexto mais amplo, que envolve o desempenho da economia argentina, a perda de poder de compra do consumidor, a volatilidade cambial e o ambiente das relações comerciais entre os dois países.

Somado a isso, ele ressalta a concorrência internacional cada vez mais intensa enfrentada pelas empresas cearenses.

A China, por exemplo, tem adotado estratégias agressivas de preços no setor calçadista, o que aumenta a pressão sobre os fabricantes de outros países. Além disso, o desgaste nas relações comerciais entre Brasil e Argentina e a ausência de um fortalecimento mais consistente do comércio bilateral também contribuem para um ambiente menos favorável às exportações”. Davi Azim Conselheiro do Corecon-CE

Queda começou em 2023

A queda das exportações calçadistas cearenses para a Argentina não é de agora. Segundo os dados levantados, a primeira variação negativa apareceu em 2023, quando a quantidade de pares exportados caiu 29,5%, de 6.110.952 em 2022 para 4.308.578.

No mesmo ano, o valor exportado ainda cresceu, mas pouco: 6,6%, de US$ 66 milhões para US$ 70,4 milhões. No ano seguinte, a retração alcançou também o valor exportado, que caiu 42%, para US$ 40,8 milhões. Os pares comercializados recuaram 29,6% no mesmo intervalo, para 3.034.697.

A queda continuou em 2025, com variações de 32,6% no valor exportado e de 13,5% nos pares, na comparação com 2024.

A primeira variação negativa nas exportações calçadistas cearenses para a Argentina, observada em 2023 na quantidade de pares exportados, pode ser compreendida como um primeiro sinal de enfraquecimento da demanda.

É o que aponta Azim. De acordo com ele, quando o mercado consumidor perde capacidade de compra ou passa a buscar produtos mais competitivos em preço, as empresas tendem a reduzir o volume comercializado.

“Na sequência, essa redução de volume passa a se refletir também no valor total exportado. Nesse período, fatores como câmbio e concorrência internacional também ajudam a explicar a deterioração do desempenho”, avalia.

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