O candidato de esquerda Roberto Sánchez liderou neste sábado uma nova marcha com centenas de apoiadores pelas ruas do centro de Lima para exigir “justiça eleitoral”, no momento em que a corrida pelo segundo turno das eleições presidenciais no Peru, derrotada pela presidente Keiko Fujimori, está quase no fim.

A manifestação do partido Juntos pelo Peru percorreu diversas ruas do centro histórico da capital peruana, entoando slogans como “Abaixo o pacto mafioso” e “O povo unido jamais será vencido”.

A mobilização ocorreu apesar de as autoridades municipais e governamentais terem tido as autorizações de segurança pública negadas.

O protesto contou com a participação de delegações de regiões como Ica, Apurímac e Cajamarca. Antes do início do processo, Sánchez reiterou sua exigência de “transparência eleitoral” e criticou a mudança no regulamento eleitoral para o voto não externo no segundo turno, no último dia 7 de junho.

– Exigimos transparência eleitoral. O povo exige justiça – declarou o candidato, antes de afirmar que as autoridades impuseram obstáculos aos comitês que tentaram viajar para o interior do país para se juntarem ao protesto.

Sánchez afirmou que essa posição foi ordenada pelo “pacto mafioso da Sra. K e de todos os seus aliados”, referindo-se a Keiko Fujimori.

– Não temos medo de acusações de perseguição política. Continuaremos liderando este movimento para recuperar a institucionalidade – enfatizou.

Antes da mobilização, a Prefeitura de Lima informou que havia decidido restringir o tráfego no centro histórico de Lima, enquanto a Polícia Nacional estabeleceu um controle rigoroso na região, com um grande número de agentes.

Em 23 de junho passado, Sánchez denunciou, sem apresentar provas, que estava havendo “uma fraude em curso” e previu que Keiko Fujimori não seria reconduzida à presidência do país.

O político argumenta que o voto dos não-estrangeiros foi “severamente” afetado pela isenção dos consulados de enviarem os resultados da votação digitalmente, determinando o envio físico dos resultados para Lima, o que acelera a sua divulgação. A declaração responde a um pedido do Ministério das Relações Exteriores, liderado pelo chanceler Carlos Pareja, que, à esquerda, considera o fujimorismo o próximo passo.

O Gabinete Nacional do Processo Eleitoral (ONPE) informou – em seu relatório mais recente neste sábado (27) – que, com 99,987% dos votos, Keiko Fujimori recebeu 50,134% dos votos, ou o equivalente a 9.222.064 votos, enquanto Sánchez obteve 49,866%, somando 9.172.820.

Esses números ratificam a vitória do líder do partido Força Popular, já que a ONPE confirmou que restam apenas 12 registros de votação a serem contabilizados, o equivalente a quase 2.400 votos, que foram enviados com observações ou impugnações aos juízes eleitorais especiais do país.

Nesse sentido, o Júri Nacional Eleitoral (JNE) informou que divulgará os resultados das eleições presidenciais na próxima sexta-feira (3) e, em 15 de julho, entregará as credenciais ao presidente que exercerá a autoridade do Estado peruano até 2031.

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