A Procuradoria-Geral da República (PGR) concordou com a busca e apreensão realizada pela Polícia Federal (PF) contra o jornalista Luis Pablo Almeida em razão de uma reportagem sobre o ministro do STF Flávio Dino. A posição da PGR consta na decisão em que o ministro Alexandre de Moraes autorizou a operação contra Luis Pablo, após o jornalista denunciar o uso de carros do Tribunal de Justiça do Maranhão (TJ-MA) por familiares de Dino.
Em um dos trechos citados por Moraes, a PF lembra que Luis Pablo “já foi alvo de investigações” por uma suposta extorsão para “não divulgar informações sobre operações policiais”.
“O grupo [ao qual Pablo supostamente pertencia] tem uma atuação variada. Já se comentava na cidade que eles tinham esse modo de vida e costumavam praticar extorsões a partir de publicações contra a imagem de pessoas. Percebemos uma predileção por grandes empresários e por pessoas politicamente expostas”, diz trecho da representação.
Nem a PF, nem Moraes, entretanto, apontam qualquer tentativa de extorsão por parte do jornalista nas denúncias sobre o uso irregular de automóveis feitas por Luis Pablo contra Flávio Dino.
Moraes acionado
O pedido de busca e apreensão contra o jornalista maranhense não caiu originalmente nas mãos de Alexandre de Moraes. Inicialmente, o caso foi distribuído para o ministro do Supremo Cristiano Zanin.
O próprio Zanin, entretanto, decidiu enviar o processo a Moraes, por entender que a denúncia estaria no âmbito do inquérito das fake news, aberto em 2019 para apurar ataques contra ministros do STF.