O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já emite sinais públicos de preocupação com a perspectiva de o Senado atingir a maioria conservadora a partir de 2027, algo já manifestado nos bastidores por ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Esse cenário permitiria à oposição se contrapor a decisões do STF, independente de quem ocupar a Presidência da República. Em paralelo, a lista de pré-candidatos da direita para disputar as duas vagas por unidade da federação nas próximas eleições segue se ampliando, incluindo também nomes populares nas redes sociais, alguns deles novatos na política partidária.
Durante o encerramento do congresso nacional do PSB, neste domingo (1º) em Brasília, Lula alertou para o risco de candidatos direitistas serem os grandes vitoriosos das urnas na briga pelas 54 das 81 cadeiras do Senado em 2026. Ele frisou ser essencial manter o domínio de aliados para impedir que a direita “avacalhe” com o STF.
Lula fez referência à possibilidade de a renovação substancial do perfil do Senado abrir caminho para inéditos processos de impeachment contra ministros do STF — algo que, apesar das dezenas de pedidos protocolados, tem sido sistematicamente bloqueado pelos presidentes da Casa.
Em tese, o Senado também poderia deixar de ser uma barreira para projetos de lei que limitem os poderes do Supremo. Assim, a situação atual que vem travando iniciativas da oposição poderia se inverter com a eleição, em fevereiro de 2027, de um chefe do Congresso alinhado à direita.
Em reação tardia a Bolsonaro, Lula apela pela resistência da esquerda no Senado
O petista defendeu que aliados do Palácio do Planalto concentrem esforços nas disputas ao Senado, deixando governos estaduais em segundo plano. Ele chamou de “ameaça às instituições democráticas” o risco da derrubada de ministros como Alexandre de Moraes, visto até no exterior como símbolo da perseguição do Judiciário ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) em particular e à direita no geral.
O senador Humberto Costa (PT-PE) deu uma declaração semelhante ao portal Metrópoles, chamando a perspectiva de maioria de direita no Senado de “pandemônio”.
A estratégia de Lula de escalar senadores aptos a se reelegerem e governadores perto de concluir o segundo mandato seguido a se candidatarem ao Senado em 2026 revela a escassez de nomes da esquerda para enfrentar a direita.
Desde o fim das eleições municipais, a direita, sob a liderança de Bolsonaro, tem articulado estratégias para conquistar a maioria no Senado. A disputa por apoio do ex-presidente já mobiliza vários pré-candidatos a senador e acirra a competição em redutos de eleitorado predominantemente conservador, como Goiás, Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Sul e Distrito Federal.
Numa demonstração prévia de sua força, a direita já conta com nomes competitivos em vários estados, como as deputadas do PL catarinense Caroline De Toni e Júlia Zanatta. No Rio Grande do Sul se destacam pré-candidatos como Marcel Van Hattem (Novo) e Luciano Zucco (PL). Para o maior colégio eleitoral do país, São Paulo, os deputados Eduardo Bolsonaro (PL) – que também ser candidato a presidente – e Guilherme Derrite (Republicanos).






