Dados da Presidência da República mostram que o banqueiro Daniel Vorcaro foi a pelo menos duas reuniões no Palácio do Planalto acompanhado de Júlio Cezar, o operador de propinas do grupo do ministro Alexandre Padilha nos fundos de pensão neste atual mandato de Lula. Na edição que está nas bancas, VEJA revela destalhes do relato dono do Banco Master sobre como o petismo buscou liberar recursos de fundos de pensão, segundo o banqueiro, em troca de propina.

Os registros do Gabinete de Segurança Institucional do Planalto comprovam o que diz o banqueiro na proposta de delação rejeitada pela Polícia Federal e pela PGR e também batem com os dados encontrados pelos investigadores no celular do banqueiro.

O primeiro encontro citado no controle de acesso do Palácio do Planalto mostra que Vorcaro e Júlio se registraram na portaria do Planalto no mesmo minuto, às 14h33, do dia 1º de março de 2024.

Na proposta de delação em que trata do assunto, Vorcaro explica que esteve com Alexandre Padilha e Olavo Noleto e outros interlocutores nessa reunião.

“Nesse dia, estavam também o assessor Olavo, Fernando, o primo desse Olavo, e o próprio Júlio. Nessa conversa, Padilha mais ouviu do que falou, mas afirmou que ‘o que eu tratasse com Olavo seria como se eu estivesse tratando com o próprio Padilha”, diz Vorcaro.

Depois dessa conversa, Vorcaro diz que recebeu Júlio, Olavo e o primo dele para uma reunião reservada em Brasília. “Júlio, Olavo e seu primo foram em minha casa para uma conversa aberta: ‘só haveria um jeito de entrar na Previ, Petros e Postalis: mediante pagamento de propina também na ordem de 10% de tudo o que o banco captasse’”, diz.

Segundo Vorcaro, o plano era captar até 10 bilhões de reais nos cofres dos fundos de pensão de servidores da Caixa, do Banco do Brasil, da Petrobras e dos Correios. Em troca do lobby junto aos fundos, o grupo do ministro de Lula receberia 1 bilhão de reais em propina, ou 10% de tudo que o Master tirasse dos cofres dos fundos.

Na delação que tentou negociar com a PGR, o dono do Banco Master diz que Júlio pediu e recebeu um sinal de propina de 500.000 reais, quando o governo do presidente Lula autorizou formalmente o Master a operar nos fundos. A verba foi paga por meio de um contrato de fachada com outra empresa, segundo Vorcaro relatou na proposta de delação em que ofereceu aos investigadores até os “recibos de propina” dada ao petismo. A PF e a PGR, no entanto, descartaram investigar o caso por “falta de provas”.

O segundo encontro com o “pessoal” no Planalto

O controle de entrada da Presidência da República também cita que Daniel Vorcaro e o operador Júlio Cezar estiveram juntos no Palácio do Planalto no dia 3 de abril de 2024, uma quarta-feira. Os dois se registraram às 17h29.

As mensagens do celular de Daniel Vorcaro obtidas pela PF mostram que o dia do banqueiro foi movimentado em Brasília e que as articulações de agenda do dono do Master foram todas tocadas pelo lobista vinculado ao ministro de Lula.

“Na terça, você iria a Brasília para outras reuniões também, né?”, pergunta o operador ao banqueiro em 28 de março, dias antes das reuniões. “Não. Iria só para isso”, diz Vorcaro. “Tá. Quando puder me dá uma ligada”, diz o lobista, entendendo a importância e exclusividade da viagem do banheiro para a Capital Federal.

Dois dias depois, Vorcaro cobra resultados do operador do grupo do ministro Padilha: “Amigo, estou precisando confirmar as agendas na terça. Está ficando em cima”, diz o banqueiro. Na sequência, Vorcaro sugere que as agendas passassem para a quarta-feira, não mais na terça, e pede que “a turma” também o receba no mesmo dia: “Tenta marcar na quarta mesmo com a turma. Seria melhor pra mim.” O lobista responde prontamente: “Eu vou tentar tudo na quarta. Pode deixar”.

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