O hacker Walter Delgatti Neto, condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por invadir sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e alterar documentos, foi autorizado a cumprir a prisão em regime aberto após decisão do ministro Alexandre de Moraes.

Delgatti cumpre pena decorrente de condenação imposta pela Primeira Turma da Corte, na Ação Penal (AP) 2428, e foi condenado à pena de oito anos e três meses de prisão em regime inicial fechado. A mesma Ação Penal condenou a ex-deputada federal Carla Zambelli a 10 anos de prisão, também em regime inicial fechado, além da perda do mandato.

Em 9 de janeiro de 2026, uma progressão para o regime semiaberto foi deferida. Em março de 2026, Moraes determinou a remição de 100 dias de pena, por conta da aprovação de Delgatti no ENEM para Pessoas Privadas de Liberdade, em 2025.

Agora, em regime aberto, Delgatti deverá cumprir algumas regras: ele precisará comprovar que está trabalhando de forma lícita, utilizará tornozeleira eletrônica e terá toque de recolher durante a semana. Nos finais de semana e feriados, ele ficará em recolhimento domiciliar integral.

Delgatti também está proibido de usar redes sociais, deixar a comarca sem autorização judicial e deve comparecer semanalmente à Justiça Federal para informar e justificar suas atividades.

Caso envolve Zambelli

Em 2023, Delgatti invadiu os sistemas do CNJ a mando da ex-deputada federal Carla Zambelli, atualmente presa na Itália. Na ocasião, o hacker inseriu na plataforma da Justiça um mandado falso de prisão contra Moraes.

Um trecho do mandado falso dizia: “de todos os inquéritos de censura e perseguição política, em curso no Supremo para o CNJ, a fim de que me punam exemplarmente. Diante de todo o exposto, expeça-se o competente mandado de prisão em desfavor de mim mesmo, Alexandre de Moraes. Publique-se, intime-se e faz o L”.

Após a condenação, em junho de 2025, a ré anunciou em entrevista que havia deixado o Brasil. Ela teve seu nome incluído na lista da Interpol e está presa na Itália desde o dia 29 de julho de 2025.

No Brasil, Zambelli foi condenada duas vezes pelo STF. Na primeira ação, recebeu pena de dez anos de prisão por invasão de sistemas do CNJ e falsidade ideológica, em conluio com Delgatti. Ele afirmou ter sido contratado por ela para inserir documentos falsos no sistema.

Na segunda condenação, o STF fixou pena de cinco anos e três meses de prisão, em regime inicial semiaberto, pelos crimes de porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal, com definição pela perda do mandato, após o trânsito em julgado.

Em abril deste ano, a Justiça da Itália voltou a se posicionar de forma favorável à extradição da ex-deputada federal. A nova decisão diz respeito à condenação dela por porte ilegal de arma de fogo e reforça o avanço de pedidos já analisados pelo Judiciário italiano.

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