Após a vitória nas urnas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avalia indicar o criminalista Pierpaolo Bottini para o Ministério da Justiça no próximo governo. O advogado atuou na campanha à reeleição do petista e já participou de processos de repercussão nacional. A possível nomeação também é vista como uma forma de reforçar a influência política do governo na área jurídica.

A escolha de Bottini atenderia a diferentes objetivos de Lula. Entre eles, está a possibilidade de contar com um jurista de peso, com atuação semelhante à de Márcio Thomaz Bastos, que foi ministro da Justiça no primeiro mandato do petista e um dos principais conselheiros jurídicos do presidente.

A informação sobre a possível indicação foi divulgada pela CNN. Segundo a avaliação de interlocutores do presidente, Bottini também poderia assumir a condução de debates sobre uma reforma do Judiciário. O advogado defende, por exemplo, a recriação da Secretaria Especial de Reforma do Judiciário, estrutura que ocupou durante o primeiro governo Lula.

Outro fator considerado por Lula seria a capacidade política de Bottini para atuar em questões relacionadas à Polícia Federal. O atual ministro da Justiça, Wellington Silva, é visto por interlocutores como alguém que perdeu espaço em disputas internas da corporação, que também tiveram repercussão sobre o governo.

Bottini ainda poderia ganhar projeção como possível candidato a uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF). Lula terá três indicações previstas para 2028, 2029 e 2030, com as aposentadorias de Luiz Fux, Cármen Lúcia e Gilmar Mendes, respectivamente.

A proposta em discussão também prevê separar as atribuições da Justiça e criar um Ministério da Segurança Pública no próximo governo. A mudança permitiria ao Executivo organizar as duas áreas em estruturas distintas.

LIGAÇÕES COM VORCARO

Fora desse contexto, Bottini também tem ligação profissional com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O criminalista integrou a defesa do banqueiro no início das investigações sobre suspeitas de fraudes envolvendo a instituição financeira. Ele deixou o caso em 13 de março de 2026 e foi substituído por José Luiz de Oliveira Lima, conhecido como Juca.

A saída ocorreu em meio a possíveis conflitos de interesse relacionados a outros clientes do escritório e a divergências sobre eventuais negociações de delação premiada. A ligação anterior com Vorcaro provocou críticas de opositores à possível nomeação do advogado para o governo.

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