Um laboratório de pesquisa que funciona dentro da Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), considerado estratégico pelo governo Lula, acaba de publicar um livro sobre “os impactos da indústria da desinformação nos consumidores brasileiros”. A parceria com o governo Lula foi selada com uma transferência de R$ 2 milhões diretamente para o NetLab a título de “combate às fake news”. Na época do repasse, deputados federais governistas e de oposição travavam um duro embate em relação ao chamado “PL das Fake News (PL 2630)” – projeto de lei considerado prioritário para o governo Lula e alguns ministros do STF, que tentaram interferir diretamente na tramitação da proposta.
Em claro alinhamento ao governo, o livro traz uma série de críticas às big techs e seus modelos de negócio e defende uma regulamentação contundente das redes sociais, alegando questões como desinformação, manipulação política e falta de transparência em anúncios.
O laboratório chamado NetLab, fundado em 2013 pela professora Rose Marie Santini e desde então liderado por ela, é conhecido por gerar dados sobre desinformação e discurso de ódio nas redes sociais.
Como mostrado pela Gazeta do Povo, o grupo tem direcionamento político claro em várias de suas pesquisas e, frequentemente, mira figuras da direita. Em 2020, a líder do NetLab manifestou apoio a iniciativas do Sleeping Giants Brasil, formado por ativistas de extrema-esquerda dedicados a silenciar veículos e influenciadores ligados à direita.
Mas além disso, o laboratório liderado por Santini é conhecido por produzir dados que apoiam a regulação das redes sociais de uma forma bastante severa, com censura a conteúdos considerados “antidemocráticos”, em modelo defendido pelo governo federal. O livro recém-lançado tem origem em pesquisas feitas pelo “Observatório da Indústria da Desinformação”, criado em 2023 em parceria com Ministério da Justiça e Segurança Pública.
Segundo deputados de oposição, o objetivo do governo ao regular as redes é restringir discursos políticos nas plataformas – na prática, censurar conteúdos críticos ao governo federal e a excessos do STF e favoráveis a temas e políticos da direita.
O PL das Fake News, entretanto, acabou sendo arquivado em abril de 2024 pelo então presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL). Em agosto de 2025, dias após o lançamento do livro do NetLab, Lula anunciou que o governo tentaria novamente avançar com a regulação das redes sociais, desta vez com um projeto de lei próprio que deve ser apresentado ainda neste ano. A discussão sobre o projeto de lei, no Congresso, deve ser municiada por dados e argumentos apresentados no livro da NetLab.
“[Vamos] juntar evidências de maneira sistemática e com rigor acadêmico e científico para auxiliar o Ministério da Justiça a avançar em ações e políticas públicas”, disse a fundadora do NetLab à Agência Brasil na época do repasse milionário do governo para o laboratório.





