O setor educacional brasileiro enfrenta um gargalo histórico que parece longe de ser resolvido. Dados oficiais revelam que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva entregou apenas 12% das 6.227 obras de educação planejadas até o início de março. O levantamento inclui tanto a construção de novas unidades quanto a tentativa de retomar obras deixadas paralisadas por gestões anteriores.
Enquanto o ritmo de entrega permanece tímido, o déficit de vagas pressiona as famílias brasileiras. Em 2025, o país registrou uma fila de espera de mais de 826 mil crianças por uma vaga em creche, com 52% dos municípios admitindo que não conseguem suprir a demanda local.
Dentro do Novo PAC, o cenário é ainda mais desafiador. Das 2.443 propostas de novas escolas e creches cadastradas, apenas uma obra foi concluída até o momento: uma creche em Assaré (CE). A grande maioria dos projetos segue em estágios preliminares: 1.069 em execução, 572 em licitação e 775 apenas cadastradas.
A baixa execução financeira reflete esse ritmo lento. Dos R$ 15 bilhões previstos para obras educacionais no PAC, apenas R$ 1,2 bilhão foram pagos efetivamente, o que representa uma execução de míseros 8% do total orçado.
Segundo o FNDE, a dinâmica da execução contribui para o atraso: embora o financiamento seja federal, a licitação e a execução da obra são de responsabilidade direta de estados e prefeituras. Esse modelo descentralizado acaba criando um “limbo” administrativo onde a falta de capacidade técnica ou de agilidade das administrações locais trava o envio dos recursos federais.
Para a educação infantil, que compõe 69% dos projetos em pauta, a demora tem um custo social imediato. Atualmente, apenas 41,8% das crianças de até 3 anos estão matriculadas em creches no Brasil. Para especialistas, a falta de creches não é apenas um problema educacional, mas um obstáculo direto à inserção de mães no mercado de trabalho e ao desenvolvimento cognitivo na primeira infância.