A ação foi interpretada por analistas como um possível ato de retaliação ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, após as investigações do Master afetarem pessoas próximas ao governo.
Para o advogado criminalista André Marsiglia, caso seja confirmada a intenção do governo, de comprometer investigações que afetam aliados, existe a possibilidade de se configurar um “desvio de finalidade”.
“Parece bastante possível que exista aí uma manobra, que é um ilícito, um desvio de finalidade para prejudicar as investigações, não dá para cravar, mas há uma possibilidade concreta de que o governo tenha intenção de pressionar o ministro André Mendonça”, disse Marsiglia.
A medida foi oficializada um dia antes da ação contra o líder de Lula no Senado, Jaques Wagner, mas veio a público nesta sexta-feira (19). A Gazeta do Povo procurou o Ministério da Justiça e Segurança Pública para esclarecimentos e aguarda sua resposta.
Ao jornal Estadão, o secretário-executivo do ministério, Ademar Borges, afirmou que o processo do regresso de delegados seria um “reforço de atividades” ligadas ao crime organizado. Iniciado em abril, estaria em pleno vigor agora em junho.
“O processo de retorno dos policiais federais, rodoviários federais e policiais penais — seguindo a diretriz presidencial amplamente divulgada — para reforço e valorização das atividades finalísticas e de combate ao crime organizado teve início no fim de abril e continua em curso. Foram enviados os 100 pedidos de retorno, alcançando mais de 50 órgãos da administração pública direta e indireta federal, estadual e municipal”, declarou o secretário-executivo ao jornal.








