O jornal folha de São Paulo repercutiu a situação da crise da segurança pública no Ceará, com as dezenas de ataques das facções aos provedores de internet, de acordo com a publicação o medo domina a região, bairros como Carlito Pamplona, Pirambu, Jacarecanga, Sapiranga e Farias Brito, em Fortaleza, continuam sem ter a liberdade de escolher seu provedor de internet e também ficando sem acesso à rede, mesmo após três fases da Operação Strike e a prisão dos suspeitos. Alguns moradores relatam receio de sair às ruas após o anoitecer, mesmo de carro.
No Pirambu, criminosos ordenam, quando querem, toques de recolher para moradores e comércios. Em 2024, chegaram a queimar uma retroescavadeira utilizada em uma obra da prefeitura, na orla da zona oeste da cidade. O crime ocorreu pela manhã, comprovando o domínio dos criminosos no bairro.
Por lá, o clima é de tensão, com sobrevoos diários de helicópteros da Ciopaer (Coordenadoria Integrada de Operações Aéreas). Segundo informantes da Polícia Militar, os voos são de reconhecimento e para facilitar o apoio aéreo aos agentes de segurança, caso necessário.
Um dono de restaurante no bairro, onde mora há quase 40 anos, relata que ele e seus vizinhos foram obrigados a contratar o serviço de quem pode atuar na área, porque as outras empresas saíram da região.
Segundo ele, a troca do provedor de internet na sua residência foi automática. A própria empresa, afirma, cancelou o serviço e passou para outra.
Segundo a polícia, os criminosos aproveitam a madrugada para danificar os equipamentos e os fios de instalação das empresas “proibidas”.
No caso da Brisanet, as novas instalações e reparos estão sendo feitos sob escolta de segurança particular. A empresa é uma das maiores provedoras de banda larga do Nordeste e está listada na Bolsa de Valores.
O mesmo método criminoso é aplicado no bairro Farias Brito, vizinho ao centro de Fortaleza. Foi lá onde um carro da empresa Giga+ foi incendiado, na semana passada, a poucos metros da avenida Bezerra de Menezes, umas das principais vias da cidade. O ataque ocorreu na rua Boa Viagem, queimando as paredes de uma agência de banco.
Já na comunidade de Uruca, no bairro Sapiranga, e no Pecém, bairro de São Gonçalo de Amarante (a 59 km de Fortaleza), moradores relatam que tiveram suas casas invadidas por criminosos para retirarem o aparelho da Brisanet.
Os ataques chegaram a deixar sem internet o Complexo Industrial e Portuário do Pecém, equipamento que conta com investimentos bilionários para a produção de hidrogênio verde.
Das empresas afetadas pelas facções, a Brisanet é a única que oferece o serviço de internet a rádio, que utiliza o chip 5G, em vez de cabos, um acesso similar ao utilizado pelos celulares. O serviço é geralmente oferecido em localidades onde os cabos ainda não foram instalados.
No entanto, a empresa estaria ofertando esse serviço em bairros dominados pelas facções na tentativa de driblar as proibições. A instalação desse modelo é simples, com um roteador dentro da residência e, em caso de manutenção, o cliente leva o equipamento a uma unidade da empresa.
Em Capuan, bairro de Caucaia, outro morador conta que desde o dia 11 de março está sem o serviço de internet. Os equipamentos foram arrancados dos postes. Inicialmente, ele relata, a empresa disse que resolveria a questão, mas com o passar dos dias, os atendentes assumiram que o problema não seria resolvido e ofereceram o cancelamento do contrato sem custos.
Além dos carros incendiados, as facções deixaram 90% do município de Caridade (a 97 km de Fortaleza) sem internet por 24 horas.
Até o dia 28, 40 pessoas haviam sido presas sob suspeita de envolvimento nos crimes, de acordo com a Polícia Civil. A facção autora dos ataques, segundo a investigação, cobrava, com ameaças, uma taxa de R$ 20 por cliente às empresas. Se a provedora se negasse a repassar esses valores, eram destruídas as redes de fibra ótica, caixas de transmissão e antenas, além de suas lojas serem alvo de invasão e pichação.
Segundo a gestão do governador Elmano de Freitas (PT), a resposta tem sido intensificar ações de combate à atuação das facções na disputa pela internet, ofertar benefícios para os agentes da segurança e realizar concursos para ampliar o quadro.