A Controladoria-Geral da União (CGU) identificou mais de 5,4 mil filiações de menores de 16 anos em dez entidades investigadas pela Polícia Federal (PF) por envolvimento na Farra do INSS, esquema bilionário de descontos indevidos sobre aposentadorias. As informações constam em relatórios da CGU encaminhados à CPMI do INSS. Entre os menores de idade filiados pelas associações que faziam descontos de mensalidade de aposentados e pensionistas, há casos emblemáticos, como a filiação de uma criança de 6 anos, e outra de 9 anos que se “associou” a duas entidades ao mesmo tempo.

De acordo com a CGU, os casos ocorreram em um contexto de filiações em massa com o objetivo de inflar o volume de associados para diluir irregularidades em meio a associações aparentemente legítimas. A prática dificultou a fiscalização, criando uma sobrecarga deliberada nos mecanismos de controle, demandando análise de milhares de registros caso a caso.

“A submissão massiva de documentos formalmente inválidos à Dataprev, como os termos de adesão supostamente firmados por absolutamente incapazes, impõe uma excepcional dificuldade à atuação dos órgãos de controle, ao demandar a análise individualizada de milhares de registros para se identificar os elementos irregulares”, diz a CGU.

Considerados por lei “incapazes de exercer pessoalmente os atos da vida civil”, os menores não apresentam, na maioria dos casos, procuração de responsável legal ou documento adicional no ato de filiação.

9 anos e 2 filiações

Um dos casos destacados pela CGU é o de uma criança de 9 anos que foi associada à Central Nacional de Aposentados e Pensionistas – Associação Santo Antônio (Cenap.Asa) e à União dos Aposentados e Pensionistas do Brasil (Unsbras), uma das entidades ligada ao empresário Maurício Camisotti, que está preso desde setembro na sede da PF.

Sem detalhar o número de casos, a CGU afirma que encontrou “diversos registros” de menores de 16 anos na Unsbras. Já a Cenap.Asa é a campeã de filiações de menores de idade, com mais de 2,1 mil casos. A entidade é uma das que usou os serviços da empresa Soluções Power BI, de Igor Delecrode, que prestou serviço para fraudar assinaturas e biometria, reconstituindo fotos do RG.

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