O ex-banqueiro Daniel Vorcaro se reuniu com o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), em abril de 2024, para tratar de uma disputa judicial bilionária envolvendo usinas do setor sucroalcooleiro. Na ocasião, Vorcaro tinha interesse direto no resultado dos processos porque o Banco Master mantinha em sua carteira bilhões de reais em créditos ligados a precatórios dessas empresas
O encontro ocorreu em 11 de abril de 2024, às 18h, no gabinete de Gilmar no STF. Segundo mensagens encontradas no celular de Vorcaro, a reunião foi articulada com a ajuda do empresário Chiquinho Feitosa, então cunhado do ministro. Os diálogos mostram Vorcaro combinando com a secretaria do gabinete o horário e quem participaria do encontro.
Em uma das mensagens, Vorcaro informou que gostaria de permanecer sozinho por meia hora e depois receber outras duas pessoas, entre elas o ex-advogado-geral da União Bruno Bianco. A secretária respondeu que havia conseguido um encaixe, mas que o ministro teria cerca de 15 minutos disponíveis.
O caso discutido envolvia a Destilaria Alcídia S/A e faz parte de uma série de processos que tratam de indenizações cobradas por empresas do setor sucroalcooleiro contra a União. A controvérsia tem origem no controle estatal de preços da área nas décadas de 80 e 90.
O Banco Master havia adquirido créditos de precatórios que as usinas buscavam receber. Por isso, uma eventual decisão favorável às empresas poderia aumentar o valor desses ativos. Segundo estimativa da Advocacia-Geral da União (AGU), o impacto potencial de todas as ações do setor pode chegar a R$ 145 bilhões.
Apesar do interesse de Vorcaro no resultado dos processos, o gabinete de Gilmar Mendes afirma que o ministro votou contra a tese defendida pelo Banco Master nos casos mencionados. Em nota, o STF informou que a reunião contou com advogados do banco e ocorreu em ambiente institucional. O gabinete também ressaltou que receber advogados em audiência é uma prerrogativa prevista no Estatuto da Advocacia.
No processo da Destilaria Alcídia, Gilmar votou contra o pagamento do precatório, acompanhando a posição defendida pela União. André Mendonça também votou contra a empresa, mas os dois foram vencidos por Edson Fachin, Nunes Marques e Dias Toffoli. O julgamento ocorreu na Segunda Turma.






