Um novo comitê de ação política (PAC, na sigla em inglês) criado este ano nos Estados Unidos com o objetivo declarado de se opor a outro que tem posições pró-Israel está financiando pré-candidatos do Socialistas Democráticos da América (DSA), a ala mais à esquerda do Partido Democrata e cujo representante mais conhecido é o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani.

PACs são organizações que arrecadam dinheiro para campanhas políticas nos Estados Unidos. O American Priorities, criado em fevereiro, planeja gastar mais de US$ 10 milhões para apoiar seus candidatos nas eleições deste ano.

O grupo foi fundado com o objetivo de se contrapor ao Comitê de Assuntos Públicos Americanos-Israelenses (AIPAC), um PAC tradicional que apoia candidatos com posições pró-Israel.

“Queremos que nossas posições sobre política externa reflitam a mudança de postura da base democrata, especialmente em relação à [guerra na] Faixa de Gaza e ao envio de ajuda militar incondicional dos EUA a Israel”, afirmou a estrategista política Hannah Fertig, fundadora do American Priorities, em entrevista ao site Semafor.

Com dinheiro do American Priorities, a ala socialista dos democratas acumulou vitórias nas primárias do partido que já foram realizadas, como no Colorado, onde Melat Kiros, de 29 anos, venceu a atual deputada Diana DeGette e será a candidata do partido na disputa pela cadeira do 1º distrito do estado na Câmara federal nas eleições parlamentares de meio de mandato presidencial, as chamadas midterms, em novembro.

O DSA também desbancou deputados democratas mais ao centro em duas primárias em Nova York, com as vitórias de Claire Valdez e Darializa Avila Chevalier.

O apoio financeiro do American Priorities tem gerado insatisfação dentro do próprio Partido Democrata, onde, segundo informações da emissora CNN, pré-candidatos do DSA foram acusados de ser financiados por um PAC que recebe dinheiro de um “megadoador republicano alinhado ao movimento MAGA (Faça a América Grande Novamente)”, sigla que designa os apoiadores do presidente Donald Trump.

A referência é ao empresário texano de origem palestina Hussein “Sam” Mahrouq, que, além de doar US$ 625 mil ao American Priorities este ano, também doou US$ 125 mil nas eleições de 2024 ao governador Greg Abbott e ao vice-governador Dan Patrick, do Partido Republicano.

Na semana passada, Trump afirmou que o comunismo representa “a maior ameaça” aos Estados Unidos, depois de vitórias do DSA nas primárias internas do Partido Democrata.

“O comunismo é a maior ameaça ao nosso país desde a Primeira Guerra Mundial, a Segunda Guerra Mundial, [o ataque japonês a] Pearl Harbor ou o 11 de Setembro!”, escreveu o mandatário republicano na rede Truth Social.

No fim de semana, durante as comemorações dos 250 anos de independência dos Estados Unidos, Trump voltou a alegar que os Estados Unidos estão sendo ameaçados pelo comunismo.

“Gostamos de acabar com uma ameaça dessas imediatamente, antes mesmo que ela comece; é como um câncer: você precisa extirpá-lo, e tem que ser rápido”, afirmou.

Joe Gruters, presidente do Comitê Nacional Republicano, disse em comunicado que as midterms “devem ser uma escolha entre o extremismo e o bom senso”.

“Os internos estão comandando o hospício no Partido Democrata, e Mamdani, Chevalier e [o candidato democrata ao Senado Graham] Platner são as novas faces da tomada de poder pelos socialistas radicais. O presidente Trump tem razão ao alertar os americanos sobre o extremismo que está dominando a esquerda”, afirmou Gruters.

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