Mesmo após anos de promessas e discursos oficiais, a violência segue avançando no Ceará sem sinais consistentes de recuo. A manutenção de elevados índices de mortes violentas ao longo da última década expõe fragilidades estruturais nas políticas de segurança pública e alimenta críticas à incapacidade dos sucessivos governos de conter, de forma efetiva, a criminalidade no Estado.

Um levantamento do O Otimista, com base em dados da Superintendência de Pesquisa e Estratégia de Segurança Pública (Supesp), vinculada à SSPDS, aponta que o Ceará registra, em média, nove Crimes Violentos Letais Intencionais (CVLI) por dia desde 2015, quando o PT assumiu o Executivo estadual. Entre 2015 e 2025, período que soma 4.017 dias, foram contabilizados 38.905 homicídios – média aproximada de 9,6 por dia, o que representa um assassinato a cada três horas.

Para o advogado e consultor em segurança pública Laecio Noronha Xavier, o Estado caminha para um cenário de “gangrena” na segurança. “Não há uma política de longo prazo. A segurança pública fica à mercê do improviso e do experimentalismo”, afirmou. Segundo ele, mesmo que os números de homicídios eventualmente caiam, o avanço das facções na economia e no cotidiano da sociedade pode tornar-se irreversível.

Nas redes sociais, o ex-deputado federal Capitão Wagner (UB) criticou o crescimento do poder das facções no Ceará. De acordo com o opositor, a redução de homicídios ocorre quando há acordos entre grupos criminosos, o que não representa melhoria real para a população. “A guerra entre criminosos diminui, mas o cidadão de bem passa a viver sob o domínio da facção, com aumento de preços e perda de liberdade”, alertou.

Já o deputado estadual Sargento Reginauro (UB) afirmou que o Ceará se tornou uma vitrine negativa no país, marcada pelo domínio territorial do crime organizado. Ele citou expulsões de famílias em áreas como Uiraponga, em Morada Nova, além de bairros de Fortaleza, Região Metropolitana, Sobral e Maranguape. “É alarmante que o Estado não consiga garantir direitos fundamentais como moradia, segurança e liberdade”, disse.

O parlamentar também acusou o atual governo de “estelionato eleitoral”. “A população não tem o que comemorar. Basta perguntar a qualquer cidadão se hoje ele se sente mais seguro. A resposta é evidente”, concluiu.

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