Agosto passado foi o mês com o maior número de homicídios registrados neste ano no Ceará, conforme dados da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) divulgados nesta sexta-feira, 5. Foram 281 Crimes Violentos Letais Intencionais (CVLIs, a soma de homicídios dolosos, feminicídios, latrocínios e lesões corporais seguidas de morte). Esse número representa um aumento de 10,62% em relação ao registrado em agosto de 2024, quando ocorreram 254 assassinatos. Somente em Fortaleza, foram 80 CVLIs, o que também fez de agosto o mês mais violento da Capital em 2025.

O aumento em relação a agosto do ano passado foi de 11,11%, já que 72 assassinatos ocorreram naquele mês. Entre as 10 Áreas Integradas de Segurança (AIS) nas quais a SSPDS divide a Capital, a AIS 10 foi a que registrou o maior aumento no número de homicídios.

Foram 12 CVLIs no mês de agosto passado, o maior número registrado na região desde setembro de 2017. Na AIS 10, estão os seguintes bairros: Papicu, Lourdes, Cidade 2000, Praia do Futuro I e II, Manoel Dias Branco, Guararapes, Engenheiro Luciano Cavalcante, São João do Tauape, Salinas, Joaquim Távora e Dionísio Torres.

Como O POVO mostrou em diversas matérias ao longo do mês, o conflito entre as facções criminosas Comando Vermelho (CV) e Guardiões do Estado (GDE) que se iniciou no Vicente Pinzón se espraiou para os bairros do entorno, principalmente, o Papicu.

Neste bairro, em agosto, foram registrados, pelo menos, sete homicídios, conforme levantamento do O POVO, incluindo dois duplos assassinatos, ambos ocorridos na comunidade dos Índios.

Em 22 de agosto, Francisco Bruno Felipe de Oliveira, o “Bruno Gordão”, de 36 anos, e Geane Xavier de Almeida, de 42 anos (que estava grávida), foram mortos a tiros dentro da própria casa. Quatro suspeitos de envolvimento com o crime foram presos.

Eles foram apontados como integrantes da GDE e teriam praticado o crime, conforme a Polícia Civil, após Francisco Bruno decidir deixar a facção para fazer parte do CV. Já no dia 27 de agosto, dois homens que não tiveram a identidade divulgada foram mortos em plena via pública na comunidade dos Índios. Este outro caso segue em investigação.

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