O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), pretende negociar um indulto ou anistia a Jair Bolsonaro (PL) em troca do apoio da direita à sua reeleição, segundo aliados. A iniciativa também busca frear a pressão pelo impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

Alcolumbre quer articular um acordo de “pacificação” entre os Poderes após a eleição. Disse a parlamentares que procurará Lula (PT) para defender um indulto humanitário, decisão que cabe ao presidente. O tema não foi discutido na conversa entre os dois na segunda-feira (26), e aliados afirmam que a articulação deve considerar os efeitos da fuga de Flávio Bolsonaro do Brasil.

Se Lula rejeitar o perdão, Alcolumbre tentará aprovar uma anistia no Congresso. No ano passado, foi aprovada uma lei que reduz penas dos condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023, mas a norma está suspensa desde maio por decisão de Alexandre de Moraes, à espera de análise do plenário do STF. Aliados veem uma eventual validação da regra como forma de reduzir a tensão.

A anistia seria negociada com Lula para evitar veto e limitada à esfera penal, sem devolver a elegibilidade a Bolsonaro, preso desde agosto de 2025 pela tentativa de golpe e inelegível até pelo menos 2060.

Em troca, Alcolumbre espera que a direita abandone a pressão pelo impeachment de ministros e priorize uma reforma do Judiciário. Ao menos 49 dos 81 senadores eleitos defendem o afastamento, mas são necessários 54 votos para aprová-lo.

Alcolumbre disputará a presidência do Senado em 2027 contra Rogério Marinho (PL-RN) e Tereza Cristina (PP-MS). Embora conte com votos do centro e da esquerda, precisa atrair parte da oposição. O PL terá 29 senadores, e o Novo, três; PP e Republicanos também são vistos como próximos da oposição.

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