A interferência de facções na disputa eleitoral do Ceará ganhou um novo episódio em 2026. O deputado estadual Felipe Mota (PSDB) denunciou que grupos criminosos tentaram impedir uma atividade política em Capistrano, no Maciço de Baturité. Segundo o parlamentar, dias antes da carreata, uma determinação proibiu políticos de manter material de divulgação nas ruas do município.
Felipe Mota disse que decidiu manter a agenda, apesar da ordem. “Nós tivemos uma carreata dia 4. Nós fomos em frente, porque uma semana antes as organizações criminosas proibiram que qualquer político tivesse material de campanha nas ruas lá em Capistrano. E nós não nos intimidamos, nós fomos para o enfrentamento”, relatou o opositor em entrevista ao O Otimista.
Conforme apurou O Otimista, o episódio não seria isolado. Há relatos, em outras regiões do Estado, de candidatos que enfrentam dificuldades para entrar em comunidades e promover atividades políticas. Também existem depoimentos de outras lideranças que estariam sendo pressionadas com a cobrança de “pedágio” para acessar determinadas localidades.
“Isso tem acontecido em diversos municípios do Ceará. Vários políticos estão sendo impossibilitados de ir à rua”, disse Mota, que disputa um novo mandato para a Assembleia Legislativa do Ceará. A cobrança de valores para permitir a entrada de políticos em comunidades já havia sido denunciada pelo candidato da oposição ao Governo do Ceará, Ciro Gomes (PSDB), antes da Operação Omertà.
Deflagrada em 11 de agosto de 2026 pelo Ministério Público do Ceará (MPCE) e pela Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (FICCO), a operação investiga a atuação do Comando Vermelho nos processos eleitorais de 2024 e 2026 em Sobral.
Repercussão
Apesar da denúncia, Felipe Mota não formalizou o caso perante a Justiça nem registrou boletim de ocorrência. “Eu não oficializei (a questão para a Justiça), porque, infelizmente, não resolvem nada. Eu não fiz nem boletim de ocorrência”, lamentou. O episódio em Capistrano ocorre em meio a outros relatos de restrições à atuação de candidatos em comunidades do Ceará.
Segundo relatos ouvidos pelo O Otimista, as dificuldades envolvem tanto o acesso a determinadas áreas quanto a instalação e a divulgação de material político. Dias antes do caso envolvendo Mota, a campanha de Ciro Gomes também foi alvo de ameaças em Itapipoca. O candidato havia prestado depoimento sobre a cobrança de “pedágio eleitoral” por facções em Sobral quando novas ameaças foram registradas no município.
Na sequência, dias depois, pichações em Itapipoca tinham como anúncio a proibição de realização de atividades políticas ligadas ao candidato e a utilização de material de divulgação. “Proibido fazer campanha do Ciro em Itapipoca”, dizia uma das mensagens, assinada com a sigla do Primeiro Comando da Capital (PCC).
Mais
Os episódios ocorreram durante o período eleitoral e incluem relatos de restrições à circulação de candidatos e equipes, além de impedimentos à divulgação de material político. As situações foram registradas em diferentes municípios do Ceará.
Fonte: O Otimista








