O colunista da Gazeta do Povo Silvio Ribas, diz que Pablo Marçal (PRTB) entrou na corrida presidencial para impor uma derrota histórica ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e anulará os rivais da terceira via.

Marçal ainda justificou por que evita o confronto com Flávio Bolsonaro, com quem disputa o voto conservador. Para ele, uma desidratação excessiva do candidato do PL ajudaria Lula e poderia até criar condições para o petista ser reeleito no primeiro turno. A prioridade é, então, impedir tal cenário.

A lógica explica por que Marçal, neste momento, planeja tirar votos de candidatos que tentam se vender como opção a Lula e Flávio. Se crescer sobre Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão), concentraria os votos antipetistas e reforçaria a barreira eleitoral contra Lula.

A estratégia torna a candidatura do empresário a segunda linha de ataque da direita. Flávio preservaria o eleitorado consolidado e Marçal colheria conservadores, antipetistas, eleitores antissistema e parcela da direita avessa ao PL, mas que poderiam ser atraídos por nomes alternativos.

A candidatura registrada pelo PRTB no sábado (15), último dia do prazo, ainda depende do aval do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em razão da atual inelegibilidade de Marçal até 2032. Essa dúvida ainda pode se arrastar.

Marçal defende que evitar vitória de Lula seja prioridade de toda a direita

Com a candidatura, Marçal tenta realinhar a direita em torno do que apresenta como objetivo maior: tirar Lula do poder, acima das disputas internas do campo conservador. Sua missão, sustenta, é impedir uma quarta vitória do petista, evitando que rivalidades na direita facilitem sua reeleição.

Na sabatina, Marçal contou ter telefonado para Flávio logo após registrar a candidatura para tranquilizá-lo. O gesto contrasta com a agressividade dedicada a outros adversários e reforça a estratégia de preservar, ao menos inicialmente, o candidato oposicionista mais competitivo contra Lula.

A disposição de Marçal de preservar Flávio não surgiu com sua candidatura. Em 17 de dezembro de 2025, ainda no PRTB e antes de migrar para o União, declarou apoio ao senador num evento em Barueri (SP), prometeu ir à “guerra” com ele e o chamou de “o Bolsonaro que a gente sempre quis”.

A aproximação continuou quando Marçal mudou de partido. Na véspera de sua filiação ao União, em 6 de março de 2026, afirmou que tentaria convencer a nova legenda, comandada por Ciro Nogueira (PI), a apoiar Flávio. “Vou lutar para o meu apoio pessoal ser também o do partido”, declarou à época.

O União e o PP, com o qual forma federação partidária, acabaram se declarando neutro na reta final da eleição presidencial.

Entrada de Marçal no jogo provoca reação de rivais e impacta estratégias

O vínculo entre Marçal e Flávio alimenta suspeitas dos rivais sobre uma divisão informal de tarefas. Renan Santos afirmou que Marçal teria atuado como consultor de marketing de Flávio e que sua candidatura o beneficia. No papel de outsider, o candidato do Missão deve ser o mais afetado no novo cenário.

Renan reagiu rapidamente, classificando Marçal como “folclórico” e afirmando que sua entrada trabalha para o PL. O incômodo revela onde a candidatura surpresa pode produzir maior impacto: entre os nomes que procuram romper a polarização de Lula e Flávio. Marçal prevê 1,5% dos votos para o Missão.

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