A violência observada no Ceará em 2025 foi traduzida em números na 20º edição do Anuário Brasileiro de Segurança Pública. O estudo divulgado nesta quinta-feira (23), com dados do ano passado, aponta que, assim como em 2024, três cidades do Ceará estão entre as 10 mais violentas do Brasil.
Maranguape lidera o ranking. Maracanaú fica com a terceira posição e Caucaia em sétimo lugar. Foram considerados os registros de mortes violentas por taxa de 100 mil habitantes no ano de 2025.
VEJA RANKING DAS CIDADES MAIS VIOLENTAS EM 2025:
- 1º Maranguape CE 100,3
- 2º Eunápolis BA 85,1
- 3º Maracanaú CE 80,7
- 4º Porto Seguro BA 71,2
- 5º Simões Filho BA 68,1
- 6º Jequié BA 67,4
- 7º Caucaia CE 66,6
- 8º Cabo de Santo Agostinho PE 65,1
- 9º Santa Rita PB 60,9
- 10º Juazeiro BA 55,8
A redução de 3.225 mortes violentas no Ceará em 2024 para 2.976 ocorrências deste tipo em 2025 não foi suficiente para tirar os municípios da Região Metropolitana de Fortaleza (RMF) da lista.
Nos últimos meses o cenário apresenta mudanças significativas.
Enquanto no ano passado o Ceará figurou como terceiro estado onde mais pessoas eram assassinadas no País, em maio deste ano de 2026, segundo o Ministério da Justiça e Segurança Pública, passou para a 11º posição.
No início deste mês de julho, a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) anunciou que nenhuma cidade do Estado com mais de 100 mil habitantes estava na lista das 10 do Brasil com maiores taxas de Crimes Violentos Letais e Intencionais (CVLIs), que incluem homicídio doloso, feminicídio, lesão corporal seguida de morte e latrocínio.
A SSPDS se posicionou por nota destacando os investimentos realizados pelo Governo do Ceará e a intensificação das ações policiais.
“Neste ano, conforme informações do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), com dados de janeiro a maio, o Ceará lidera a redução dos Crimes Violentos Letais e Intencionais (CVLIs), no Brasil, com uma diminuição de 39,73%. A redução no estado é maior do que a média de diminuição do país, que é de 13,74%. E, de janeiro a maio de 2026, segundo dados do MJSP, não há nenhuma cidade cearense com mais de 100 mil habitantes na lista dos 10 municípios com mais homicídios, disse a Pasta.
A Pasta destacou ainda o recorde de prisões, apreensões de armas, investimentos e outras iniciativas, como o cumprimento de mandados de prisões e o Ceará contra o crime, que consiste em estabelecer metas, conforme os estudos dos indicadores da Superintendência de Pesquisa e Estratégia de Segurança Pública (Supesp), para a redução da criminalidade com base científica em manchas criminais.
Salientou a reestruturação das forças de Segurança, com a criação de batalhões e comandos operacionais da Polícia Militar, a implementação de departamentos na Polícia Civil, como os de Repressão ao Crime Organizado (DRCO), o Departamento de Repressão aos Crimes contra o Patrimônio (Depatri) e o Departamento de Combate à Lavagem de Dinheiro, duas Delegacias de Repressão contra o Crime Organizado (Draco) nas regiões Norte e Sul, além de 20 novas seccionais e 30 setores de inteligência para a PCCE. Por fim, reforçou a nomeação de 5 mil novos profissionais de segurança entre 2023 e 2026.
SEGURANÇA PÚBLICA PREOCUPA A POPULAÇÃO
O estudo traz ainda os dados de que “o Brasil chega no meio de 2026 com a segurança pública como a principal preocupação da população” e que “mais do que apresentar estatísticas criminais, o Anuário identifica mudanças estruturais nas dinâmicas da violência, nos padrões de atuação do crime organizado, nas respostas institucionais e nos desafios das políticas públicas”.
De acordo com a pesquisa, as cidades sofrem com a disputa de facções pelo controle do tráfico.
“No Ceará, investigações conduzidas em 2025 apuraram a relação entre emendas parlamentares, financiamento de campanha e crime organizado, empresários, políticos locais e a facção Guardiões do Estado, evidenciando que a cooptação criminosa pode atingir não apenas agentes de segurança, mas também representantes eleitos com influência sobre a alocação de recursos públicos vinculados à área”. Fórum Brasileiro de Segurança Pública
O professor de Sociologia da Universidade Federal do Ceará (UFC) e coordenador do Laboratório de Estudos da Violência (LEV), Luiz Fábio Silva Paiva, pontua que “o anuário sai com o cenário do ano anterior e que, ao longo do ano, os dados atuais mostram algumas reduções, sobretudo em função das dinâmicas de controle social que foram implementadas e da própria dinâmica do confronto. Neste ano já vemos uma queda”.
Paiva destaca que “a zona metropolitana de Fortaleza foi muito afetada pela dinâmica das facções e pelo controle territorial estabelecido” e que “elas tiveram em vários territórios conflitos armados muito intensos, isso já há alguns anos”.





