O Tribunal do Júri condenou o gestor ambiental Matheus Anthony Lima Martins Queiroz pelo feminicídio da enfermeira Clarissa Costa Gomes. A pena imposta ao acusado pela Justiça é de 31 anos e 3 meses de prisão.
O julgamento durou dois dias e foi encerrado já na noite desta terça-feira (14). Por maioria de votos, o Conselho de Sentença rejeitou a tese de absolvição e reconheceu feminicídio praticado com extrema violência.
Ao réu foi negado o direito de recorrer em liberdade. Ele também foi condenado a pagar R$ 40,5 mil a título de reparação de danos.
O Ministério Público do Ceará (MPCE) vai recorrer da sentença para aumento da pena. A Defensoria Pública também afirmou que vai ingressar com recurso contra a decisão do Tribunal do Júri.
Matheus confessou o assassinato da namorada quando interrogado em juízo. Ele deu detalhes sobre como o crime aconteceu e disse que “perdeu o controle” durante uma discussão do casal, depois de a vítima ter pressionado para voltar a trabalhar.
Ao impor a pena, o juiz da 2ª Vara do Júri aplicou a atenuante de confissão espontânea.
Já nos debates, a acusação disse aos jurados que haviam 38 perfurações no corpo da vítima, incluindo nas mãos de Clarissa que teria tentado se defender dos golpes.
Os promotores de Justiça pontuaram que, segundo a perícia, a morte aconteceu por meio cruel, por tortura e que a vítima também foi espancada.
A defesa do réu, representada pelo defensor público Emerson Castelo Branco disse que Matheus “tem noção total da barbaridade que ele cometeu, mas isso não define, por mais bárbaro que seja, e merece sim ser condenado, isso não define a pessoa do matheus. isso não define o seu passado”.
RELACIONAMENTO ABUSIVO
No plenário, o acusado disse que Clarissa vinha demonstrando insatisfação com ele e o chamou para conversar na casa dela depois que o casal saiu da academia.
“Ela sentou comigo e disse que queria conversar sério comigo… No que ela falou a gente começou a procurar emprego no LinkedIn. Aí então a gente começou a conversar sobre outros empregos, comecei a enviar currículo”, disse ele sentado no banco dos réus.
“Quando terminei de mandar currículo a gente começou a discutir”, segundo Matheus, dizendo se tratar de “uma discussão verbal… e aconteceu”.







