O agricultor e empresário João Holanda Neto, 59, dono de terreno onde foram encontrados 290 mil pés de maconha, foi solto em audiência de custódia nesta sexta-feira (3). Ele foi preso nessa quinta-feira (2), por investigação pelos crimes de tráfico de drogas e associação para o tráfico, mas a Justiça do Ceará decidiu pela liberdade, após argumentações médicas feitas pela defesa.

De acordo com a advogada Mariah Lopes, que representava o agricultor, ele tem uma cirurgia marcada e teve picos de elevação de pressão durante o período em que esteve preso.

No interrogatório, o idoso, que desde antes da prisão sustenta que não tem relação com a droga e que arrendou o terreno para um conhecido da família, tomou “5 comprimidos e teve a pressão aferida três vezes”.

Ele foi solto pelo juiz do 2º Núcleo Regional de Custódia e das Garantias. O cumprimento do mandado de prisão temporária foi feito pela Delegacia Municipal de Acopiara.

O caso tem repercutido há uma semana, desde que a Polícia Civil do Ceará (PCCE) realizou operação no terreno. A força-tarefa foi divulgada como uma das maiores apreensões de pés de maconha dos últimos anos.

No entanto, uma polêmica estourou no fim de semana, quando o deputado federal André Fernandes foi ao local e denunciou que boa parte da plantação de maconha estava intacta, quando a lei demanda a incineração. Investigações foram abertas, e a Controladoria Geral de Disciplina dos Órgãos de Segurança Pública e Sistema Penitenciário (CGD) abriu um procedimento Administrativo Disciplinar (PAD) contra delegados que atuaram no caso.

Terreno foi alugado por R$ 5 mil 

O Diário do Nordeste apurou junto aos advogados Maria Lopes e Itael Nunes que o fazendeiro recebia mensalmente,em espécie, R$ 5 mil pela locação do terreno.

João se afastou do trabalho no campo depois de ser diagnosticado com câncer. A defesa informou que, em outubro, ele recebeu proposta do amigo da família (no momento com identidade preservada) para arrendar o espaço.

Antes de se apresentar à polícia e ser preso preventivamente, João gravou vídeos com a família e fez um apelo ao arrendatário para que ele se entregasse às autoridades e prestasse esclarecimentos sobre a plantação de drogas.

“Eu peço até pela alma da sua mãe, de seus filho… Você fazer isso comigo? Com minha família? Eu pensando que você era uma pessoa boa… Tomava café na casa da minha mãe… eu aluguei porque você era de casa, fiz contrato” (sic).

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