O deputado federal Mauro Benevides Filho (União Brasil) denunciou, na manhã da última segunda-feira (22), em entrevista ao telejornal O Otimista, a deterioração das contas públicas do Governo do Ceará. Segundo o parlamentar, que comandou a Secretaria da Fazenda do Estado por 12 anos, os dados atuais apontam que o Fundo de Previdência dos servidores terá um déficit — ou seja, gastará mais do que arrecada — de R$ 11 bilhões entre 2027 e 2030.

Mauro Filho assumiu a coordenação geral da elaboração do plano de governo do pré-candidato ao Palácio da Abolição Ciro Gomes (PSDB) e afirmou ter ficado surpreso com o cenário das contas públicas sob a gestão de Elmano de Freitas (PT). “O Ciro é uma pessoa muito inteligente. Nós vamos ter de encontrar uma forma de resolver esse déficit de R$ 11 bilhões”, disse Mauro.

Em 2021, Mauro Filho conseguiu a aprovação de uma lei que garantia a destinação de parte da arrecadação do Imposto de Renda dos servidores públicos ao Fundo de Previdência. O objetivo era reduzir o déficit previdenciário e garantir a aposentadoria da categoria. No entanto, os governos de Camilo Santana (PT) e Izolda Cela (PSB), ainda quando estavam à frente do Executivo estadual, suspenderam esse repasse por um período de 18 meses.

Ciro também anunciou, na semana passada, a redução de pelo menos R$ 1 bilhão por ano nos gastos públicos do Governo do Estado caso seja eleito. A verba seria redirecionada para áreas prioritárias, como segurança e saúde públicas.

Contas no vermelho

Mauro Filho criticou ainda a situação fiscal da gestão Elmano de Freitas. Em 2025, o Governo do Ceará encerrou uma sequência de décadas de superávit nas contas públicas e, pela primeira vez em mais de 30 anos, registrou déficit. O saldo ficou negativo em R$ 832 milhões.

Para 2026, segundo projeção do próprio governo, a previsão é de aumento do desequilíbrio, podendo chegar a R$ 2,3 bilhões em resultado negativo.

“Em 2025, o Ceará teve um déficit de R$ 832 milhões. É um total definhamento. E a previsão para 2026, segundo o próprio governo, é de que esse déficit, ou seja, de que a despesa seja maior do que a receita, chegue a R$ 2,3 bilhões. O Estado está degringolando fiscalmente, eu não sei aonde vai parar isso”, lamentou Mauro.

Um dos fatores que, segundo ele, contribuem para a piora fiscal é o aumento da máquina pública. “Com o nome de secretaria são 32, mas existem várias assessorias em nível de secretaria, chegando a 39 estruturas no total. Não há razão para o Estado ter 39 estruturas administrativas, aumentando gastos e criando dificuldade não só para resolver a equação fiscal, mas também o problema da Previdência”, continuou.

Sem verba

Com as contas no vermelho, o Governo do Ceará tem recorrido a operações de crédito para manter a máquina pública em funcionamento. Somente nos três primeiros anos de gestão, foram mais de R$ 15,2 bilhões em empréstimos. A medida tem aumentado o custo do serviço da dívida do Estado — juros e amortizações —, que chega a R$ 5,1 bilhões por ano, de acordo com Mauro Filho. O valor já supera a verba destinada a investimentos, que gira em torno de R$ 4,1 bilhões.

Com o orçamento mais apertado, o percentual da arrecadação destinado a investimentos vem caindo ano após ano. Em 2018, último ano em que Mauro Benevides Filho esteve à frente da Secretaria da Fazenda, cerca de 15% da arrecadação estadual era destinada a investimentos. O índice vem caindo e chegou atualmente a aproximadamente 10%.

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