Um dos três possíveis casos de reações graves à vacina contra dengue produzida pelo Instituto Butantan é do Ceará, conforme a Secretaria da Saúde do Estado (Sesa). A ocorrência envolve uma mulher de 39 anos, residente em Fortaleza, que foi vacinada e hospitalizada.

No Estado, 44.809 pessoas já foram vacinadas com o imunizante, sendo 21.379 trabalhadoras da Atenção Primária à Saúde, de acordo com a Sesa.

A paciente de 39 anos com caso grave apresentou febre, mialgia (dor muscular) e náuseas seis dias após receber a vacina. O quadro evoluiu para sintomas de dengue grave, com choque e necessidade de Unidade de Terapia Intensiva (UTI), segundo informações da Agência Brasil.

Ela recebeu assistência imediata da rede de saúde, evoluiu para a completa recuperação e recebeu alta. A ocorrência foi averiguada pelo Comitê Interinstitucional de Farmacovigilância de Vacinas e Imunobiológicos (Cifavi) do Ministério da Saúde.

Por ter se manifestado após a vacinação, o quadro de saúde da paciente foi temporariamente classificado como um Evento Supostamente Atribuível à Vacinação ou Imunização (Esavi).

“No entanto, a investigação segue em andamento e, até o momento, não é possível estabelecer qualquer relação de causa e efeito entre o quadro clínico e o imunizante”, informa a Sesa.

Segundo a Secretaria, o caso em investigação envolvendo a residente de Fortaleza vacinada com a Butantan-DV no Estado integra o monitoramento de rotina realizado pelo Ministério da Saúde (MS), no âmbito da farmacovigilância.

“A vigilância de eventos adversos é uma prática padrão indispensável para garantir a segurança de todas as vacinas utilizadas no país. A identificação e a apuração rigorosa desses casos demonstram que os mecanismos de monitoramento funcionam de forma ativa, segura e transparente”, afirma a Pasta, em nota.

Complicações com a vacina contra a dengue: 42 casos sob investigação

A ocorrência está entre os registros anunciados pelo órgão federal na segunda-feira, 8, quando o Ministério da Saúde anunciou a interrupção temporária da aplicação do imunizante em todo o Brasil.

Enquanto as vacinas seguem descontinuadas ocorre a investigação de 42 casos de reações com sinais de alarme e três casos graves, incluindo dois óbitos.

Uma das possíveis reações graves envolve uma mulher de 48 anos, que desenvolveu sintomas de dengue grave 19 dias após a vacinação. O estado de saúde teve comprometimento neurológico (meningoencefalite). Ela não resistiu e foi a óbito.

Outro paciente de 58 anos, que iniciou quadro febril cinco dias após a vacinação, evoluindo rapidamente para sintomas de dengue graves, com choque refratário. Ele também morreu após desenvolver o quadro clínico.

O imunizante do Butantan contra a dengue foi aplicado, a partir de janeiro deste ano, em profissionais de saúde da Atenção Primária à Saúde e, de forma ampliada, para o público de 15 a 49 anos, nas segiuintes cidades:

  • Maranguape, na Região Metropolitana de Fortaleza, no Ceará
  • Botucatu, no estado de São Paulo
  • Nova Lima, em Minas Gerais
  • Região de Araguaína em Tocantins.

Maranguape aplicou 24.159 doses do imunizante brasileiro até fevereiro deste ano. Em nota Prefeitura da cidade, disse que “diferente do cenário nacional, o município não registrou reações graves ou óbitos associados ao imunizante, havendo apenas 180 notificações de sintomas leves”.

Já o Butantan informou na terça-feira, 9, que as três cidades onde ocorreu aplicação em massa da vacina não tiveram casos graves de reação ao imunizante.

O Ministério da Saúde afirma que esses casos “são eventos raros que correspondem a 0,008% de um total de 500 mil doses aplicadas até 30 de maio – e ainda não há resultado conclusivo sobre a correlação deles com a vacina.”

O órgão federal também adverte que quem já recebeu a vacina deve observar o estado de saúde por 21 dias após a aplicação.

Se apresentar sintomas como febre, dor abdominal intensa, vômitos persistentes, sangramentos, tontura, sonolência excessiva, sinais de desidratação ou piora do estado geral, deve-se procurar atendimento médico imediatamente.

Hesitação vacinal

A coordenadora de imunização da Sesa, Ana Karine Borges, afirma que a suspensão temporária da vacina não deve ser vista com receio, mas como uma prova de que o Programa Nacional de Imunização (PNI) e os governos federal e estaduais estão fortalecidos.

Ana Karine explica que a pausa serve para assegurar que a população receba um produto totalmente seguro, validar os resultados da vacina antes de dar continuidade à aplicação em massa e demonstrar o rigor técnico e científico do PNI, que possui mais de 50 anos de existência.

O programa conta com mais de 50 tipos de imunobiológicos disponíveis. Dentre esses, 32 são especificamente vacinas, sendo 21 imunizantes de rotina e outros especiais para indivíduos que apresentam condições clínicas específicas.

“O elenco de vacinas que nós temos no PNI, que já tem mais de 50 anos de existência, passa por todo um controle de qualidade, por todo um estudo, uma ciência com fases para que a vacina possa ser produzida, garantindo sempre essa segurança”, comentou a coordenadora de imunização, em entrevista ao O POVO, na terça-feira, 10.

Segundo ela, ainda persiste a necessidade de superar a hesitação vacinal por meio da educação sobre a segurança e o rigor científico das vacinas

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