Anos após a promessa de um grande empreendimento turístico no litoral do Ceará, o projeto do Hard Rock Hotel deixa um rastro de indignação e prejuízos nos investidores que acreditaram na famosa marca e aportaram dezenas de milhares de reais.

Entre os muitos compradores que buscam reparação na Justiça está o bancário paulista Aníbal Rodriguez. Ele adquiriu uma cota em 2019, enquanto passeava por Fortaleza. Foi abordado na calçada pelo exército de vendedores treinados com uma cartilha agressiva, que muitas vezes constrangia os potenciais consumidores.

Aníbal decidiu adquirir a menor fração disponível e investiu em torno de R$ 46 mil. O dinheiro nunca gerou retorno.

“A pandemia dificultou. Era uma cenário novo e apostei que com o fim dela, as obras iriam avançar, mas isso não ocorreu. Pediram para fazer um terceiro aditivo ao contrato para postergar a data novamente. Nesse momento tive certeza que não entregariam”, comenta.

O consumidor desabafa: “O sentimento é de frustração. Me senti enganado, principalmente  pelo envolvimento de uma empresa internacional como o Hard Rock. A pessoa acredita que o nome dê uma garantia a mais. Não teria comprado se não fosse do Hard Rock”.

Também lesado pela não entrega do hotel, o contador Nilton Souza abordado em uma confeitaria e convidado a conhecer o projeto em um ponto de vendas localizado na Avenida Desembargador Moreira.

Nilton também afirma que decidiu investir R$ 55 mil, influenciado pela credibilidade transmitida pela marca Hard Rock e pela forma pomposa como o empreendimento foi apresentado.

“Os vendedores eram bastante insistentes e persuasivos. Além disso, a força da marca Hard Rock transmitia credibilidade e segurança, dando a impressão de que se tratava de um investimento sólido e diferenciado”, afirma.

Do sonho do hotel 5 estrelas à frustração

De acordo com o contador, durante as negociações foram destacadas vantagens como hospedagem em um hotel cinco estrelas vinculado à marca internacional, potencial de valorização patrimonial, possibilidade de obtenção de renda por meio de locações futuras e expectativa de retorno financeiro atrativo.

As dúvidas sobre a viabilidade do projeto começaram a surgir, segundo Nilton, quando os prazos de entrega passaram a ser sucessivamente adiados.

“Percebi que o cronograma apresentado aos compradores não estava sendo cumprido e que as novas datas anunciadas também não eram alcançadas. Em determinado momento, diante da falta de perspectiva concreta de entrega, decidi solicitar o cancelamento do contrato”, relata.

Ele afirma que a empresa comunicava oficialmente os adiamentos por meio de aditivos contratuais que prorrogavam os prazos originalmente previstos.

“Sempre que ocorria um novo atraso, representantes da empresa entravam em contato para apresentar aditivos contratuais prorrogando os prazos de entrega. Os consumidores eram convidados a assinar esses documentos concordando com as novas datas previstas para conclusão do empreendimento”, diz.

Segundo o investidor, também eram promovidos eventos e ações voltados à manutenção da confiança dos compradores no projeto.

Fonte: DN

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