A porta-voz em língua portuguesa do Departamento de Estado dos Estados Unidos, Amanda Roberson, indicou que o Pix não está no foco inicial da implementação das sanções decorrentes da classificação do PCC (Primeiro Comando da Capital) e do CV (Comando Vermelho) como organizações “terroristas” estrangeiras.
Em entrevista ao Poder360 concedida na 2ª feira (1º.jun.2026), Amanda afirmou que as medidas serão direcionadas a pessoas e entidades que prestem apoio material aos grupos e ressaltou a importância da intencionalidade para eventual responsabilização.
“As designações agora vão entrar na fase de implementação. Impossível imaginar ou saber o que poderia acontecer com casos individuais, mas sabemos que o setor financeiro brasileiro é, de modo geral, bem sofisticado e compreende suas responsabilidades para cumprir com a legislação americana”, disse a porta-voz.
Amanda afastou, igualmente, a hipótese de intervenção militar. Disse que a classificação não concede ao governo norte-americano esse tipo de poder.
“A lei americana das designações é muito clara: não contempla nenhum tipo de ação militar. É o departamento de guerra que tem responsabilidade para ações militares no mundo. Essas designações têm como os seus princípios as suas consequências, restrições de vistos e também restrições financeiras para bloquear as atividades e o apoio aos grupos criminosos”, disse.
Amanda também afirma que há registros de atuação do PCC e do CV em 1 a cada 4 Estados norte-americanos. Segundo ela, as duas facções integram uma lista de 17 organizações do hemisfério ocidental classificadas pelos EUA como organizações “terroristas” estrangeiras.
Questionada sobre as críticas do presidente Lula (PT) à decisão, declarou que “cada líder pode ter a sua opinião”. Ao comentar a possibilidade de influência do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na medida, afirmou que o presidente Donald Trump toma suas decisões de forma “independente”.
A porta-voz também disse que Washington espera ações mais enérgicas do Brasil contra o PCC e o CV, mas ressaltou que cabe a cada país definir sua estratégia de combate ao crime organizado de acordo com sua própria legislação. “Foi exatamente o que fizeram os EUA”, declarou.








