O vereador Adrilles Jorge (União Brasil), de São Paulo, publicou um vídeo nas redes sociais no último sábado (9) no qual afirmou que a decisão da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) de suspender a comercialização de produtos da marca Ypê teria motivação política e associou a medida ao apoio declarado dos proprietários da empresa ao ex-presidente Jair Bolsonaro em eleições anteriores.

A manifestação ocorreu após a Anvisa determinar o recolhimento de lotes de produtos da Ypê por supostas falhas em etapas críticas do processo produtivo. A medida atingiu itens como lava-louças, lava-roupas líquido e desinfetantes fabricados na unidade da empresa em Amparo, interior de São Paulo.

No vídeo, Adrilles afirmou que o governo federal estaria “politizando” até produtos de limpeza e sugeriu que a atuação da Anvisa teria relação com posicionamentos políticos dos donos da empresa. O vereador também minimizou as justificativas apresentadas pela agência reguladora, classificando os argumentos como “balela”.

– É claro que eles querem simplesmente politizar e proibir a Ypê, porque a Ypê fez campanha. Os donos da Ypê fizeram campanha para Bolsonaro na última eleição – afirmou.

Na gravação, o parlamentar também criticou a imprensa, artistas e empresas que, segundo ele, fariam campanha para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PL) sem sofrer consequências semelhantes.

Ao comentar os argumentos utilizados pela Anvisa, Adrilles questionou a existência de risco biológico nos produtos da Ypê e afirmou que “tudo leva a crer” que a motivação política seria predominante na punição aplicada contra a empresa.

– Pode ter detectado alguma coisa errada aqui ou acolá, mas você demonizar, você querer proibir, você querer censurar toda uma marca, tudo leva a crer que é uma motivação política – disse.

A controvérsia relacionada à marca começou na última quinta-feira (7), quando a Anvisa anunciou o recolhimento de diversos produtos da Ypê após identificar descumprimentos relacionados aos sistemas de garantia de qualidade, produção e controle. De acordo com a agência, as irregularidades comprometiam requisitos essenciais de Boas Práticas de Fabricação (BPF) e poderiam representar risco de contaminação.

Na noite da última sexta (8), a Ypê anunciou que apresentou um recurso à Anvisa com esclarecimentos e subsídios técnicos relacionados à determinação de recolhimento e proibição dos itens. Com isso, a empresa obteve a suspensão dos efeitos da proibição de lotes de seus produtos. Mesmo com o efeito suspensivo, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) manteve a orientação de não utilizar os itens.

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