Após o início do período chuvoso em Fortaleza, manchas escuras voltaram a aparecer no mar das praias da Capital. A água em tom escurecido próximo à galeria pluvial do Parque Bisão, onde passa um trecho do riacho Maceió. O odor forte era sentido no calçadão da Praia do Mucuripe.

O Coletivo Nossa Iracema, por meio de vídeos no Instagram, já havia mostrado a poluição no local. O ativista André Comaru postou ainda o acúmulo de lixo saindo da galeria pluvial próxima ao espigão da avenida Rui Barbosa, em outro trecho da orla.

Problema antigo, a situação veio à tona em anos anteriores, mobilizando fiscalizações que encontraram mais de 200 imóveis com ligações clandestinas de esgoto nas galerias que deveriam receber apenas água da chuva, em 2024.

Em nota, a Agência de Fiscalização de Fortaleza (Agefis) informou que os registros de água escura e resíduos próximos ao espigão da Rui Barbosa podem estar relacionados “ao arraste de sedimentos, areia e materiais acumulados nas vias, conduzidos pelas galerias pluviais até os pontos de deságue no mar”.

A Agência salientou que não necessariamente se trata de lançamento de esgoto, embora não descarte a possibilidade e continue fiscalizando as áreas.

Em 7 de janeiro, as fiscalizações resultaram na autuação de um condomínio na avenida Beira Mar. A unidade estava lançando efluentes na galeria de águas pluviais e ficou sujeita à aplicação de multa simples que pode variar de R$ 303,75 a R$ 48.600, conforme o Código da Cidade.

Já a Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece) afirmou, também por nota, que a mancha é causada “pelo uso indevido da rede de drenagem”.

Na região do riacho Maceió, a Cagece afirma que mesmo com rede coletora disponível, cerca de 320 imóveis nos arredores do corpo d’água ainda não estão conectados ao sistema de esgotamento sanitário.

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