Parentes de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) já atuaram em 1.921 processos na Corte e no Superior Tribunal de Justiça (STJ), entre filhos, cônjuges, ex-cônjuges e irmãos exercendo a advocacia. Desse total, ao menos 381 ações seguem em andamento aguardando decisão final. O amplo levantamento publicado nesta segunda (26) pelo UOL identificou 14 parentes de primeiro grau de ministros do STF com atuação nos tribunais superiores, número que pode ser maior devido à existência de processos sob sigilo.

A reportagem procurou todos os ministros e seus parentes e, dos que responderam aos questionamentos, os magistrados afirmaram que sempre se declararam impedidos, enquanto que os familiares negaram terem sido beneficiados pelo parentesco.

Segundo a apuração do UOL, a maioria desses familiares já exercia a advocacia antes da posse dos ministros no Supremo, o que, em tese, afasta uma irregularidade formal. O próprio ministro Edson Fachin, que preside a Corte, defendeu a atuação de parentes dos magistrados e afirmou haver uma “filhofobia”.

“Por que um filho deve mudar de profissão quando o pai vira juiz? Não precisa. Agora, precisa ter transparência. Faz o quê? Advoga onde? Em que termos? Em quais ações? Tudo isso tem que estar transparente”, afirmou em entrevista ao Estadão também publicada nesta segunda (26).

A polêmica sobre a atuação de parentes em processos que correm nos tribunais superiores ganhou força após a revelação de que o escritório de Viviane Barci de Moraes foi contratada pelo Banco Master por R$ 129 milhões. O banco foi liquidado pelo Banco Central um dia após a prisão de seu controlador, Daniel Vorcaro, em investigação da Polícia Federal sobre suspeitas de fraudes financeiras no valor de R$ 12 bilhões envolvendo o Banco de Brasília (BRB).

Ela representa, ainda, o empresário Nelson Tanure, que também teve o processo remetido ao STF, e de grandes empresas como a Qualicorp e a Hapvida.

Quem são os ministros com parentes atuantes

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