Em depoimento à Comissão de Segurança Pública do Senado, Eduardo Tagliaferro fez uma revelação bombástica. Segundo ele, Alexandre de Moraes determinou buscas contra empresários bolsonaristas com base numa mera reportagem. A fundamentação foi feita posteriormente e incluída no processo com data retroativa, sugerindo fraude processual.

O ex-chefe da Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação, do TSE, afirmou que, após a publicação de uma reportagem do portal Metrópoles em 17 de agosto de 2022, com supostas conversas entre empresários em um grupo de WhatsApp, Moraes determinou, no dia 23 de agosto, uma operação de busca e apreensão contra eles — um dos alvos foi o bilionário Luciano Hang.

Segundo o ex-assessor, a medida foi tomada sem que a veracidade do conteúdo da reportagem, classificado de antidemocrático, fosse confirmada. O fundamento jurídico só foi criado posteriormente.

Tagliaferro exibiu aos senadores documentos, planilhas e mensagens que, segundo ele, comprovam que o embasamento legal da determinação de Moraes foi feito apenas no dia 27 de agosto, cinco dias após a operação contra os empresários.

Ele afirmou ter recebido um pedido de um assessor de Moraes para construir um “ambiente, uma história” com data retroativa para justificar a busca e apreensão, o que, de acordo com ele, vai contra o processo legal. Tagliaferro disse que escondeu seu notebook com as provas e chegou a dormir no carro com medo de uma operação contra ele.

Após as acusações, o senador Magno Malta (PL-ES) pediu a prisão e o impeachment de Moraes, a quem chamou de “marginal”, e se ofereceu para defender Tagliaferro. A senadora Damares Alves (PL-DF) sugeriu o envio das denúncias ao presidente do STF, Luís Roberto Barroso, para tentar barrar o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que presidiu a audiência, também se comprometeu a tomar providências.

Fonte: Claudio Dantas

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