O vereador Weder Basílio (PP) de Morada Nova, distante 149,72 km de Fortaleza, teve a prisão preventiva revogada na última segunda-feira, 31, pelo juiz eleitoral Magno Rocha Thé Mota, do 18º Juízo das Garantias do Núcleo 4. Weder foi um dos alvos da Operação Traditori da Polícia Federal (PF), deflagrada em maio deste ano.

Weder teve a prisão anunciada em 5 de maio deste ano e estava no respectivo regime por 118 dias, em um desdobramento da ofensiva da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado no Ceará (Ficco/CE), que investigava organização criminosa com atuação no Vale do Jaguaribe. Em ação anterior, no dia 12 de março, a PF já tinha prendido outros cinco vereadores.

No entendimento do magistrado, por ausência de periculosidade concreta, a prisão não poderia se basear na gravidade abstrata do crime. Além desse aspecto, juiz destaca que buscas e apreensões, quebras de sigilo e bloqueio de bens já foram realizados, tendo a prisão exaurido a finalidade instrumental de proteger as provas.

Vereador poderá acompanhar em liberdade o andamento do inquérito com medidas cautelares, como uso de tornozeleira eletrônica, proibição de gerir empresas investigas e retenção de passaportes.

A defesa do parlamentar ressaltou que a decisão judicial trata da situação cautelar de Weder e não representa o julgamento definitivo sobre as acusações.

“O combate às facções tem que ter a prudência de não encontrar como alvo pessoas que são inocentes. Não pode ser um combate desmedido, desproporcional”, ainda apontou o advogado de defesa, Igor César Rodrigues.

Seis vereadores de Morada Nova foram presos no âmbito da Operação Traditori, que visou desarticular uma organização criminosa. Além de Weder, as prisões envolveram o presidente da Câmara, Hilmar Sérgio (PT); a primeira-secretária da Casa Legislativa, Gleide Rabelo (PT); e parlamentares Régis Rumão (Progressistas), Cláudio Maroca (PT) e Júnior do Dedé (PSB), licenciado do Legislativo à época. Os cinco foram presos no dia 12 de março.

Além dos parlamentares presos, foi alvo da operação Marco Bica (PT), que era diretor da Superintendência de Obras Hidráulicas do Ceará (Sohidra). Ele pediu afastamento do cargo após a ação policial.

Os parlamentares envolvidos na investigação teriam recebido apoio financeiro de uma facção criminosa nas eleições de 2024, quando ainda eram candidatos, e, em troca, retribuído com nomeações em cargos públicos e outras vantagens, conforme mostrou a Ficco/CE.

A ofensiva esteve interligada com operação Consorte, deflagrada municípios do Ceará e em Belo Horizonte, Minas Gerais. A PF identificou fluxo financeiro superior a R$ 500 milhões, indicando a possível utilização de mecanismos para ocultação e para dissimulação de recursos ilícitos.

 

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