O petista Evandro Leitão, que assumiu a Prefeitura de Fortaleza (CE) em janeiro, esfrega as mãos pelo final da vigência do contrato de varrição urbana do município, avaliado em mais de R$ 356 milhões e hoje operado pelo consórcio MSM Ambiental — formado pelas empresas Marquise Serviços Ambientais, Maciel Construções e Construtora Samaria. Segundo apurou Claudio Dantas, Leitão avalia lançar um novo edital ou até mesmo aprovar um aditivo contratual ao já existente, mas com uma condição: que uma das empresas consorciadas (Maciel) ceda seu lugar para a novata Ecco Liberty. O expediente tem movimentado os bastidores da política cearense.
É que informações da Junta Comercial indicam que a Ecco Liberty tem entre seus sócios Pedro Victor Cajaseiras Mourão, preso em outubro durante operação do Ministério Público do Ceará e da Polícia Civil, que investigam esquema de fraude e corrupção em contratos de coleta de lixo.
Segundo relatório de investigação obtido pela reportagem, o empresário “foi identificado como um dos principais articuladores administrativos do esquema criminoso”.
“Pedro Victor exerceu papel relevante no núcleo de comando e controle da fraude aos contratos de limpeza urbana no Município de São Gonçalo do Amarante. Juntamente com Francisco Jeberson Timbó Magalhães e Francisco Antônio Lopes (Totonho), criou e operou o grupo de comunicação denominado ‘São Gonçalo Controle’, canal por meio do qual eram coordenadas as ações fraudulentas, estabelecidos fluxos de pagamentos, divididas tarefas e acompanhados os trâmites licitatórios”.
A investigação também diz que o sócio da Ecco Liberty “tratava diretamente com Heberson Marques Gomes, secretário Municipal do Meio Ambiente e Urbanismo, sem qualquer relação formal com o município”.
“Tratavam sobre pagamentos, andamento de documentos e demais assuntos relacionados à execução de serviços da empresa Nova Hidrolândia contratada mediante dispensa de licitação. Os indícios apontam que ele não só tinha conhecimento da origem ilícita dos valores como também auxiliava ativamente na sua reinserção no circuito formal e informal, por meio de transações fracionadas, pagamento em espécie e instruções internas aos demais colaboradores.”
Além de fraude à licitação e corrupção ativa, Pedro Victor é investigado por associação criminosa, lavagem de capitais, peculato e falsidade ideológica. A Ecco Liberty já entrou em São José dos Campos (SP) e também em Belo Horizonte (MG), com contratos que somam quase R$ 250 milhões.
Contatado pela reportagem, o empresário Joel Campos, sócio majoritário da Ecco Liberty confirmou a pressão para integrar o consórcio, mas disse que prefere disputar uma nova licitação. Ele disse conhecer o prefeito, com quem já se reuniu em gabinete, mas negou que o contrato tenha sido discutido ou que sua empresa seja privilegiada.
“Quem conhece o Evandro sabe que ele não dá brecha para nenhum empresário se aproximar, mas ele falou na campanha que faria uma nova licitação. Tenho interesse em entrar, mas não substituindo outra empresa. O rapaz da empresa Maciel já me procurou diversas vezes para compor, mas eu não trabalho desse jeito”, disse.
Sobre a investigação contra seu sócio, Joel afirmou que Pedro Victor “é um amigo de infância” e que não teme pela imagem da empresa em mantê-lo no quadro societário. “Ele é da minha confiança, muito trabalhador. Acabou arrolado nessa operação, mas foi preso e solto no mesmo dia, pois não há provas. Estou tranquilo.”
Quem não está tranquilo é o Ministério Público, que acompanha com atenção as movimentações em torno do contrato de limpeza urbana da capital cearense. Só este ano, o MP já abriu quase uma dezena de investigações contra fraudes envolvendo o lixo em diferentes municípios — alguns com suspeita de envolvimento do crime organizado.
A reportagem tentou contato com a Prefeitura de Fortaleza e com a empresa Maciel Construções, mas não obteve retorno das assessorias. O espaço segue aberto para manifestação.






