Uma agenda apreendida pela Polícia Federal (PF) revelou que o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, teria articulado a compra de carteiras para salvar o Banco Master. O documento pertencia a Luana de Andrade Ribeiro, ex-diretora de Controle e Riscos da instituição brasiliense. As informações foram publicadas pelo jornal Folha de S. Paulo.
Segundo os registros da ex-diretora, Costa afirmou em reunião que era necessário adquirir os ativos, caso contrário o banco de Daniel Vorcaro quebraria. Em depoimento prestado aos investigadores em dezembro, o executivo confirmou que o processo visava ganhar tempo durante uma substituição de ativos.
Os agentes localizaram a agenda durante diligências no BRB e identificaram que o registro foi feito em uma reunião interna da cúpula do banco, realizada em julho de 2025. A frase escrita relaciona diretamente a compra das carteiras à situação financeira do Banco Master. Por isso, a Polícia Federal passou a tratar o conteúdo como indício relevante para entender se a operação teve caráter técnico ou se buscou evitar o colapso da outra instituição.
Além disso, os investigadores cruzaram o conteúdo da agenda com depoimentos já prestados. Dessa forma, a PF tenta reconstruir a dinâmica das decisões e o papel de cada dirigente no processo.
Dirigentes prestam esclarecimentos
O então presidente do BRB afirmou em depoimento que a anotação não indica tentativa de socorrer o Banco Master. Segundo ele, o banco apenas substituía carteiras de crédito antigas por outras consideradas mais rentáveis. Ainda conforme o relato, as decisões seguiram critérios internos de planejamento financeiro.
No entanto, a Polícia Federal avalia a divergência entre o discurso formal e o teor da anotação. Por isso, novas oitivas devem ocorrer para esclarecer se houve pressão interna ou externa para a realização do negócio.








