Uma investigação da Polícia Civil de São Paulo sobre a atuação do Primeiro Comando da Capital (PCC) em estruturas públicas revelou um episódio envolvendo a sede do governo paulista. Segundo a apuração, um homem apontado como operador financeiro da facção utilizou o heliponto do Palácio dos Bandeirantes para se deslocar até o Estádio do Morumbi, em março de 2022, durante a gestão de João Doria.
O operador em questão era João Gabriel de Melo Yamawak, vinculado à empresa 4TBank, que está preso desde março deste ano por tráfico de drogas. De acordo com a polícia, quem viabilizou o pouso foi o ex-vereador Thiago Rocha de Paula, de Santo André (SP), preso sob suspeita de atuar como elo político do PCC. Para conseguir a liberação, Thiago teria dito que o voo levava uma suposta delegação japonesa.
O caso faz parte de uma investigação mais ampla, que apura a tentativa da facção de expandir sua influência para dentro de administrações municipais. A Operação Contaminatio, conduzida pela Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes (Dise) de Mogi das Cruzes, identificou indícios de articulação com agentes públicos, pré-candidatos e pessoas ligadas a estruturas administrativas.
Foram cumpridos mandados em diferentes estados, além do bloqueio de mais de R$ 500 milhões em bens e contas ligadas aos investigados. Segundo o delegado Fabricio Intelizano, o objetivo era criar uma rede capaz de interferir diretamente na máquina pública, como em processos licitatórios e na gestão de receitas municipais.
Um dos pontos mais sensíveis da investigação envolve o uso do 4TBank como instrumento para inserir o PCC no fluxo oficial de dinheiro público. A suspeita é de que a facção tentou fazer com que a empresa fosse utilizada por prefeituras para arrecadar tributos. Na prática, isso significaria que valores pagos pela população poderiam passar por uma estrutura controlada pelo crime organizado.
– Então, você imagine uma situação hipotética, que chega a beirar o absurdo, do cidadão que recebe o seu carnê de IPTU, vai lá fazer o pagamento do carnê do IPTU dele e no momento em que esse pagamento é feito, quem vai gerir, quem vai administrar esse valor, não é o município, mas sim esse banco contratado pelo município, que é o banco criado pelo PCC – destacou o delegado Fabricio Intelizano.
Há indícios de movimentações nesse sentido em cidades como Santos, Santo André, Ribeirão Preto e Campinas, embora a polícia ainda investigue até que ponto o plano avançou. Até o momento, as defesas dos citados não se manifestaram. O PSD informou que Thiago Rocha está afastado e que o caso será analisado.







