O Partido Novo protocolou, nesta segunda-feira, 30, representação em que pede a cassação do mandato do deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) por acusar o relator da CPMI do INSS, deputado Alfredo Gaspar (PL-AL), de “estuprador”.

“Verifica-se que o parlamentar agiu de forma consciente, deliberada, clara e totalmente agressiva para difamar e injuriar a honra do relator”, afirma o Novo em representação. Gaspar nega as acusações do petista.

Procurado, o deputado do PT disse que Gaspar faz “cortina de fumaça” e também irá entrar com representação contra o deputado alagoano no Conselho de Ética.

No último dia de sessão da CPMI, na semana passada, Gaspar leu um discurso do ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luís Roberto Barroso, em que afirmou que o juiz do STF Gilmar Mendes era uma “mistura de mal com o atraso e pitadas de psicopatia”.

Lindbergh pediu que ele focasse na leitura do parecer. “Isso é um relatório ou um circo?”, questionou o petista. “Deputado Lindinho, não estamos falando de Odebrecht”, disse Gaspar. “Seu estuprador”, respondeu Lindbergh, causando o tumulto. “Cale a sua boca, bandido”, treplicou o relator.

Esse episódio provocou desdobramentos nesse mesmo dia. Lindbergh e a senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS) acusam Gaspar de ter estuprado, oito anos atrás, uma adolescente de 13 anos, que teria engravidado. A vítima hoje teria 21 anos e a criança, 8.

Gaspar alega que a história, na verdade, refere-se a um caso tido pelo seu primo, Maurício César Brêda Filho, que teria mantido relacionamento sexual com uma mulher de 21 anos em Alagoas quando ela ainda era menor de idade.

Essa mulher teria engravidado e, sem comunicar nada à família, se mudado para o Rio de Janeiro. A criança teria sido batizada de Lourilene Pereira da Silva.

No Rio, a mãe de Lourilene se casou e constituiu uma família. Anos depois, quando a filha tinha 15 anos, a mãe teria revelado a ela a história sobre o pai biológico. Em 2012, Lourilene teria decidido procurá-lo, segundo ela relata num vídeo de sua autoria enviado ao Estadão.

O Novo diz que as acusações “não têm lastro”. “A criação de imputações criminais falsas, sem qualquer tipo de lastro, não pode ser tolerada no ambiente de boa convivência e harmonia entre os parlamentares”, afirma Eduardo Ribeiro, presidente do partido e autor do requerimento.

Na representação do Novo, o partido pede que o Conselho de Ética da Câmara decida pela perda do mandato ou da suspensão do mandato por seis meses.

Além do Novo, Gaspar também estuda uma reação contra Lindbergh e Soraya.

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