A ex-nora do presidente Lula, Carla Ariane Trindade, foi recebida pelo ministro Camilo Santana (PT-CE) em uma reunião fora da agenda no Ministério da Educação no dia 12 de julho de 2024. Na última quarta (12/11), Carla Ariane foi alvo da Polícia Federal (PF) por suposta participação em um esquema de desvio de verbas da Educação em municípios do interior de São Paulo. A portaria do ministério registra a entrada de Ariane com destino ao gabinete de Camilo Santana em Brasília, às 12h do dia 12 de julho de 2024. O registro de entrada dela no ministério, obtido via Lei de Acesso à Informação (LAI), traz “Presidente Lula” no campo cargo/função — Carla não tem cargo oficial no governo.

Naquele dia, uma sexta-feira, a agenda oficial de Camilo Santana inclui uma viagem aérea de Fortaleza (CE) a Brasília; e um compromisso pela manhã no Hospital Universitário de Brasília (HUB), ligado à Universidade de Brasília (UnB). Essa agenda no hospital se estendeu das 9h30 às 11h, segundo o registro oficial. Ou seja, Santana estava na capital na hora descrita

A decisão que autorizou a Coffee Break é da juíza Raquel Coelho Dal Rio Silveira, da 1ª Vara Federal de Campinas (SP).

O dono da Life, André Mariano, estaria no centro do esquema, e seria responsável pelo pagamento de propina a servidores e lobistas que o ajudavam a arrecadar recursos públicos (imagem acima). Ele teria, inclusive, pago duas viagens da ex-nora do presidente a Brasília.

Carla foi casada por 20 anos com o filho mais velho de Lula, Marcos Cláudio Lula da Silva. Ela teria conhecido André Mariano por meio de um secretário municipal de Hortolândia, Fernando Gomes Moraes, e de Kalil Bittar.

Segundo a PF, o secretário intermediava agendamentos do empresário com ela. Depois disso, o município realizava licitações que eram direcionadas a Life.

O encontro de Carla com o ministro da Educação aconteceu justamente no período em que ela teria sido mais ativa nesse esquema. O inquérito, contudo, não esclarece qual seria o seu grau de influência dela junto ao governo federal, nem se ela teria recebido propina de Mariano.

Para a PF, “a dinâmica dos agendamentos, muitas vezes demonstra que Carla defende os interesses privados de Mariano junto a órgãos públicos, principalmente na busca por recursos e contratos”.

Além disso, no dia 14 de maio de 2024, o próprio André Mariano esteve em Brasília para uma reunião no FNDE sobre “livros paradidáticos, material para alunos e bibliotecas”. Participaram do encontro a então presidente do FNDE, Fernanda Pacobahyba; e Nadja Cezar, coordenadora-geral do FNDE. O encontro está na agenda oficial da autarquia.

Além de André Mariano, também esteve no encontro o lobista Magno Romero, e os representantes de duas outras empresas.

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