A Finlândia decidiu, nesta segunda-feira, 7, interromper o financiamento à Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina (UNRWA) ao fim de 2026. A decisão ocorreu em meio a uma investigação sobre a UNRWA, por supostas conexões com o grupo terrorista Hamas, que controla Gaza.
Informações da Fox News Digital revelam que o Escritório do Inspetor-Geral da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID, na sigla em inglês) e a organização não governamental UN Watch identificaram novos elementos que, segundo suas próprias investigações, indicariam infiltração do Hamas na agência e envolvimento de integrantes de seu quadro nos ataques de 7 de outubro de 2023, no sul de Israel.
O país se soma aos Estados Unidos e à Suécia, que também deixaram de financiar a organização, alvo de acusações e investigações sobre vínculos de funcionários com grupos terroristas.
O Ministério das Relações Exteriores finlandês confirmou que o acordo de financiamento vigente com a UNRWA será encerrado no final deste ano. O governo, porém, ainda não definiu por quais organizações internacionais canalizará posteriormente sua ajuda para atender às necessidades humanitárias na região. As autoridades finlandesas não informaram à publicação norte-americana quais foram as razões que levaram à mudança na política de financiamento da agência.
Os EUA interromperam completamente os repasses à UNRWA em fevereiro de 2025, durante o governo de Donald Trump. A Suécia havia encerrado seu financiamento em dezembro de 2024 e passou a direcionar a assistência para outras estruturas das Nações Unidas envolvidas na resposta humanitária em Gaza.
O futuro da distribuição de ajuda à população de Gaza também ganhou importância para a administração Trump, que apoia o chamado Conselho da Paz, iniciativa voltada à reconstrução e à definição de um cenário posterior ao conflito.
Um representante ligado aos esforços de reconstrução afirmou que a preocupação internacional com a UNRWA aumentou diante das evidências apresentadas contra a organização. Segundo ele, o objetivo do Conselho da Paz é trabalhar com parceiros considerados confiáveis e substituir a agência por organizações previamente avaliadas, dentro de uma proposta de Gaza desmilitarizada e sem radicalização.
A investigação do USAID OIG envolve aproximadamente 1,5 mil integrantes da UNRWA suspeitos de participação em atividades terroristas. Até agora, 108 funcionários foram encaminhados ao Departamento de Estado norte-americano, com a recomendação de suspensão ou impedimento de atuação futura em organizações que recebam recursos dos EUA.
Suspeitas sobre agência da ONU por apoio ao Hamas
Um alto funcionário norte-americano familiarizado com a investigação disse que as conclusões independentes do USAID OIG estão levando outros países a reconsiderar a ideia de que a UNRWA seja a única ou a melhor alternativa para levar assistência aos civis de Gaza. Segundo ele, as descobertas também podem impedir que funcionários ligados ao Hamas e aos ataques de 7 de outubro sejam incorporados a futuras organizações de ajuda que atuem no território.
A UN Watch, por sua vez, afirma em um relatório sobre a presença de grupos terroristas na agência que cerca de 12% dos funcionários da UNRWA em Gaza seriam integrantes de organizações terroristas. A estimativa, segundo a entidade, resulta do cruzamento das listas de empregados da agência com registros do Hamas apreendidos pelas Forças de Defesa de Israel.
Hillel Neuer, diretor-executivo da UN Watch, avaliou que a decisão da Finlândia não deverá impedir a chegada de ajuda aos palestinos, desde que os recursos sejam transferidos para organizações humanitárias consideradas independentes do Hamas, como o Programa Mundial de Alimentos. Para ele, outros países democráticos deveriam seguir os exemplos finlandês, sueco e americano.
Neuer também contesta a afirmação de que a UNRWA seja indispensável para a prestação de assistência humanitária. Na avaliação dele, os serviços podem ser realizados por organizações alternativas consideradas mais responsáveis.
A própria UNRWA confirmou ter tomado conhecimento da decisão finlandesa. Stéphane Dujarric, porta-voz do secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou que a agência agradece à Finlândia pelos recursos previstos no acordo plurianual referente ao período de 2023 a 2026 e que pretende continuar conversando com o governo do país.
Dujarric também disse que Guterres continua incentivando os países-membros das Nações Unidas a apoiar o trabalho da UNRWA. O acordo de quatro anos entre a Finlândia e a agência representava aproximadamente US$ 23,23 milhões. O compromisso será encerrado depois do repasse previsto para este ano. A UNRWA não respondeu às perguntas da reportagem sobre a decisão finlandesa.
Para Neuer, o fim do financiamento da agência seria uma condição necessária para o processo de desradicalização previsto em um eventual plano de paz para Gaza. Ele sustenta que a UNRWA teria contribuído durante décadas para a manutenção do conflito ao transmitir às gerações palestinas a ideia de que seu futuro estaria associado ao chamado “direito de retorno”, que, segundo sua interpretação, resultaria na eliminação de Israel.
O dirigente da UN Watch concluiu que as investigações conduzidas pelo USAID OIG e pela própria organização demonstrariam que a UNRWA não poderia ser reformada. Para ele, países interessados em promover a paz deveriam deixar de financiar a agência e concentrar recursos em assistência humanitária, desradicalização e aumento da autonomia dos palestinos.








