Há seis meses da eleição, a maior preocupação do povo cearense é o avanço da criminalidade no Estado. Para 81,2% dos entrevistados pela AtlasIntel, a segurança é o maior problema do Ceará, seguida pelo acesso à saúde (37,5%), pela corrupção (32%) e pela violência contra a mulher (16%). Ao mesmo tempo, apenas 35% confiam no governador Elmano de Freitas (PT) para administrar o problema da criminalidade e do tráfico de drogas. Na saúde, o cenário é mais otimista e chega a 43%. No entanto, em nenhuma das áreas citadas, como “combate à corrupção”, “equilíbrio fiscal” e “saúde”, o índice de confiança no petista chega a 50%.
Em 2025, o Ceará registrou 3.021 homicídios e liderou o ranking nacional proporcional de violência, com taxa de 32,6 assassinatos por 100 mil habitantes. O Estado teve ainda três cidades entre as dez mais violentas do país: Caucaia, Maracanaú e Maranguape, esta última liderando a lista.
O principal fator para esse resultado é o avanço de facções criminosas. O secretário estadual da Segurança, Roberto Sá, afirmou, em janeiro de 2026, que os números de 2025 devem se repetir neste ano: “Começamos 2025 reduzindo os homicídios até maio/junho: 26% em Maranguape, 20% em Maracanaú e 16% em Caucaia. O conflito das facções se deslocou de maneira que, mesmo com toda a saturação que fazíamos para prender esses criminosos inescrupulosos, ainda assim eles aumentaram a letalidade entre si. A maior parte dessa letalidade se concentra nesses grupos criminosos que estão se combatendo. É óbvio que há crimes contra outras pessoas, mas a grande maioria está na disputa interna. No segundo semestre, o conflito se intensificou tanto que não espero um resultado muito bom no anuário”, respondeu Sá, ao ser questionado sobre a possibilidade de redução dos homicídios.
Já em comparação com seu principal oponente, o ex-ministro Ciro Gomes (PSDB), o cenário é o oposto. Em nenhum dos casos o índice de confiança junto à população é menor que 50%. Cerca de 59% acreditam que Ciro é capaz de administrar o problema das facções criminosas no Ceará, e 56% afirmam que ele faria um bom trabalho no combate à corrupção.
Em evento em Juazeiro do Norte, Ciro afirmou que lançaria sua candidatura com a certeza de poder resolver a maior dor do povo cearense: a criminalidade. Para o ex-ministro, houve atraso do governo no combate às facções, o que resultou na inserção desses criminosos na política: “todos do lado deles”.
Na ocasião, Ciro lembrou o caso do prefeito cassado de Choró, Bebeto Queiroz, que segue foragido há mais de um ano e ainda não foi expulso do PSB, partido comandado no Ceará por Eudoro Santana, pai do ex-ministro Camilo Santana (PT).
Em entrevista recente, o tucano disse que, eleito, prenderia o ex-prefeito em 90 dias. O ex-gestor foi condenado por envolvimento com facções criminosas em esquema de benefício eleitoral. Outro exemplo citado por Ciro foi o de Braguinha, prefeito cassado de Santa Quitéria, que elegeu o filho como sucessor. Braguinha também segue nos quadros do PSB e foi condenado por ter recebido apoio de facções criminosas em sua reeleição, mediante pagamento de R$ 1,5 milhão em espécie.
Ciro tem a menor rejeição
O ex-ministro Ciro Gomes apareceu na pesquisa com a menor rejeição entre os políticos avaliados: 17,3%. Camilo Santana foi rejeitado por 25,4% dos entrevistados, enquanto Elmano ficou com 32,3%, quase o dobro de Ciro. Lula, principal cabo eleitoral do governador, tem rejeição de 34,3%.
As projeções, caso se mantenha essa tendência de aumento da rejeição ao petista e boas avaliações de Ciro, indicam a possibilidade de um cenário com o ex-ministro e Camilo Santana nas urnas.
Ciro ainda não confirmou oficialmente sua candidatura, mas já se apresenta como pré-candidato há algumas semanas. Após receber o apoio do União Progressista na semana passada, o anúncio deve ocorrer após o PL formalizar posição semelhante.
A pesquisa AtlasIntel ouviu 1.205 pessoas por recrutamento aleatório, tem margem de erro de 3 pontos percentuais, nível de confiança de 95% e está registrada no TSE. O levantamento foi realizado entre 25 e 30 de março.








