O Jornal O otimista fez uma matéria especial sobre o avanço das facções na política Cearense, eles destacam o caso de Santa Quitéria, Choró, Potiretama, Fortaleza, Sobral, Caucaia, entre outros municípios onde facções atuaram apoiando candidaturas ou impedido candidaturas em bairros que eles comandam, como será que a eleição desse ano vai funcionar?

A Polícia Federal ainda investiga um vereador em Martinópole (208 km de Fortaleza) por suspeita de compra de votos e associação a facção criminosa.

Em outros casos, não houve suspeitas sobre os candidatos, mas a campanha foi marcada por violência e intimidação associada às facções. Foi o caso de Sobral, cidade tida como modelo para o país em alfabetização e primeiros anos do ensino fundamental.

Na disputa pela prefeitura em 2024, Oscar Rodrigues (União Brasil) e Izolda Cela (PSB) reclamam de não terem conseguido entrar em bairros após recados de supostos intermediários de facções. Cela, que foi governadora do Ceará em 2022, chegou a receber ameaças pela internet.

Casos semelhantes de coação eleitoral foram registrados em Fortaleza, onde um suplente de vereador foi cassado em agosto após ameaças a adversários. Em Caucaia, na região metropolitana, uma investigação resultou na prisão de 40 pessoas por ameaças e intimidações na campanha.

Em algumas cidades, as pressões de grupos criminosos aconteceram durante a gestão, em episódios que beiram o inverossímil. Em Santana do Acaraú, a prefeitura recebeu mensagens com supostas ameaças de uma facção criminosa por meio do site oficial da Ouvidoria.

Em Potiretama (282 km da capital), o então prefeito Luan Dantas (PP) foi preso preventivamente em maio sob suspeita de ter encomendado um incêndio criminoso contra a propriedade de um desafeto.

O crime teria sido executado por homem ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC), facção com origem em São Paulo. Na época, a defesa de Dantas negou as acusações e falou em “insuficiência de fundamentos” para decretar a prisão e em ilegalidades na investigação.

Não foi um caso isolado. Em ao menos seis cidades do Ceará foram registradas suspeitas de infiltração de facções nas eleições de 2024, com casos de coação a eleitores e ameaças. O cenário acendeu o alerta das autoridades para o avanço do crime organizado sobre a política institucional.

“A presença desses grupos criminosos atuando no tráfico de drogas ou nas extorsões já é nefasta por si só. Mas quando eles conseguem essa penetração em ambientes formais, tudo fica muito mais nebuloso e perigoso. Você não consegue saber quem são as pessoas, em quem você pode confiar”, afirma.

Para afastar as facções da política, o deputado Renato Roseno defende ações de transparência partidária, incluindo maior publicidade na gestão dos fundos partidário e eleitoral, regras claras para distribuição das vagas nas chapas proporcionais e filtros mais rigorosos para filiações aos partidos.

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