O relatório final da investigação conduzida pela Polícia Federal e encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF) aponta que foram apreendidos R$ 685,19 mil em dinheiro com pessoas ligadas ao prefeito cassado de Choró, Bebeto Queiroz (PSB), e ao deputado federal Júnior Mano (PSB). A maior parte do dinheiro, quase R$ 600 mil, foi apreendida nas véspesas das eleições de 2024.
O valor é resultado de três apreensões:
- Em setembro de 2024, no início da investigação, foram apreendidos R$ 599.407,00 em espécie no bairro Papicu. O dinheiro estava em uma caminhonete Toyota Hilux em posse do policial militar Emanuel Elanyo, que havia sido contratado para realizar o saque a mando de Maurício Gomes Coelho, operador da empresa MK Empreendimentos.
- Em julho de 2025, durante o cumprimento de mandados de busca na Operação Underhand, a equipe localizou valores ocultos em veículos de luxo na residência de Carlos Douglas Almeida Leandro, vinculado à empresa Cariri Edificações. Foram encontrados R$ 12.633,00 dentro de um envelope em uma Toyota SW4 e R$ 20.000,00 em uma sacola escondida sob o banco de uma Chevrolet S-10
- No cumprimento de ordens judiciais em endereços vinculados ao gabinete de Junior Mano em Brasília, foram encontrados valores em uma mochila atribuída a Victor Lucas, R$ 50.050,00 em uma sacola plástica e R$ 3.100,00 em um compartimento separado da mesma mochila.
Além do dinheiro em espécie, a operação também resultou na apreensão de veículos de luxo, relógios, computadores e documentos considerados relevantes para a investigação.
Entre os elementos citados no relatório estão conversas extraídas de celulares apreendidos durante a investigação. Em um dos registros, uma testemunha relata que Carlos Alberto Queiroz, o Bebeto, teria afirmado a um vereador que “não haveria limite para a compra de votos”.
Milhões movimentados
A Polícia Federal conclui que o grupo de empresas que orbitou o prefeito cassado de Choró, Bebeto Queiroz (PSB), chegou a movimentar um valor aproximado de R$ 54,6 milhões em supostos desvios de dinheiro em benefício do grupo.
O valor foi definido após aplicar-se “corriqueiro percentual de 12% de contabilidade paralela (caixa 2) utilizado pelo grupo sobre os R$ 455,5 milhões identificados como receita das empresas entre 2023 e 2025”. A PF utiliza a porcentagem de 12% ao observar que o grupo de Bebeto mencionou a necessidade de “estabelecer um percentual fixo para o desvio”, sugerindo que a taxa aceitável não deveria ultrapassar os 12%.
Em conclusão, a PF relembra que o valor de R$ 54,6 milhões é de “notável correspondência” com o montante de “mais de cinquenta e oito milhões” mencionado pela ex-prefeita de Canindé, Maria do Rozário, em declaração formal prestada à Promotoria Eleitoral que iniciou a investigação.








