Os funcionários do Banco do Brasil (BB) e da Caixa Econômica Federal (Caixa) aprovaram a paralisação das atividades a partir desta quinta-feira, dia 10.
A greve, por tempo indeterminado, ocorre devido ao encerramento das negociações sem acordo com os bancos sobre a renovação da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) da categoria bancária, além dos acordos coletivos de trabalho (ACT) do BB e da Caixa.
A categoria rejeitou, em Assembleia Geral Extraordinária realizada nos dias 3 e 4 de setembro, as propostas apresentadas pelas instituições. A votação contou com a participação de 4.717 bancários.
As votações ocorreram de forma virtual através da plataforma VotaBem. Os funcionários dos bancos privados aprovaram a proposta da Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) com 65,88% dos votos a favor, 32,32% contrários e 1,8% de abstenções.
A proposta para os funcionários do Banco do Nordeste do Brasil (BNB) também foi aceita com 60,11% de aprovação, 38,42% de rejeição e 1,47% de abstenções.
A recusa veio dos empregados do BB e da Caixa, que registraram 79,47% e 95,67% de votos contrários às propostas patronais, respectivamente, deflagrando a greve.
Em plenária que antecedeu a votação, o Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos Bancários do Ceará (SEEB-CE) orientou a rejeição da proposta.
Impacto eleitoral nas negociações
Durante a reunião entre o Sindicato e o Banco do Brasil, a instituição financeira voltou a pontuar que “atingiu o limite da proposta” apresentada anteriormente, devido às restrições impostas pela legislação eleitoral.
A decisão impede que as estatais realizem concursos ou ofereçam reajustes além da recomposição salarial em anos de eleição.
Durante a reunião, o BB informou que foram esclarecidos diversos pontos como o pagamento de R$ 3 mil destinado aos funcionários que estiverem dentro do público definido pela campanha, conforme as regras que serão estabelecidas pelo Banco do Brasil.
Uma nova assembleia está marcada para a quinta-feira, 10, a partir das 19h, para avaliar a proposta do BB de retomar as negociações.
Já a Caixa enviou um ofício à Contraf-CUT para uma reunião nesta quarta-feira, 9, em São Paulo. Segundo a Contraf-CUT, os funcionários do banco devem ficar atentos às informações divulgadas pela confederação e pelos sindicatos filiados para obter informações seguras e dialogar com os sindicatos para organizar a greve a partir do dia 10, conforme definido nas assembleias.
“Após os resultados das assembleias realizadas em todo o país, que rejeitaram a proposta do banco e decidiram deflagrar greve por tempo indeterminado a partir de quinta-feira (10/9), é importante que o banco tenha enviado esse ofício nos chamando para uma mesa de negociações”, destacou a coordenadora da CEE/Caixa, Luiza Hansen.
Entenda o motivo da greve
De acordo com José Eduardo, presidente do SEEB-CE, a ampla rejeição da Caixa veio principalmente por conta do Saúde Caixa — plano de saúde dos empregados e empregadas do banco.
A medida da instituição financeira prevê reajustes que aumentam com a idade, o que, segundo os funcionários, vai contra os princípios históricos do plano.
Segundo a Caixa, as mudanças no custeio exigido pelos funcionários acrescentariam cerca de R$ 190 milhões, valor que não seria suficiente para cobrir o déficit projetado para 2026.
Já no caso do BB, o dirigente aponta que a proposta deixou de contemplar demandas essenciais para os funcionários da instituição financeira.






