Realmente, a popularidade do governo Lula está em baixa. Até mesmo entre os robôs que, em teoria, trabalham para a gestão petista.

Ferramentas de Inteligência Artificial são treinadas para explicar documentos, orientar usuários e esclarecer dúvidas sobre as bases de conhecimento que alimentam seus modelos. Não é comum que elas formulem críticas contundentes ao próprio sistema que deveriam representar.

Mas foi justamente esse o resultado de uma conversa entre a Gazeta do Povo e a INCLUA.IA, ferramenta de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) para, em teoria, auxiliar gestores públicos na implementação de políticas de igualdade.

Se um secretário municipal, por exemplo, estiver planejando alguma ação relacionada ao cadastramento e atualização no CadÚnico – o banco de dados do governo federal sobre famílias de baixa renda – a agente de IA vai lembrá-lo de focar em pessoas negras em áreas rurais com acesso precário à Internet, sob pena de classificar o plano como racista.

Quando confrontada com as ideias radicais presentes no manual antirracista, como citações literais de Karl Marx e a presunção de que toda política pública é discriminatória, a IA discordou frontalmente da própria plataforma INCLUA. Ao que parece, a inteligência artificial, apesar de ser artificial, tem até um bom grau de inteligência.

Apesar de forçar linguagem feminina, IA fala de si mesma no masculino 

No começo da conversa, a reportagem questionou o uso de uma linguagem universal feminina na plataforma. A IA respondeu dizendo que “historicamente, o uso do masculino como universal não tem funcionado de forma neutra na prática, pois tem contribuído para a invisibilização sistemática das mulheres enquanto sujeitos de direito”.

Questionada por que, então, ainda há trechos no manual escritos em “masculino genérico”, a resposta ainda veio justificando o modelo como “uma escolha política e comunicativa”, e que os termos no masculino “podem ter sido empregados no sentido gramatical clássico, como flexão neutra aplicável a qualquer pessoa”, o óbvio.

Manual antirracista inverte ônus da prova 

Na sequência, a reportagem fez outro questionamento, mais direto:

O guia instrui gestores a presumir que sua política reproduz desigualdades raciais e que devem provar o contrário. Isso não inverte o princípio básico de que uma acusação requer evidência?

Para a IA da INCLUA, essa é uma “objeção rigorosa” que atinge um “ponto estrutural” da plataforma antirracista. Depois de uma breve contextualização sobre a inversão do ônus da prova só ter validade no campo judicial, a estrutura interna da inteligência artificial parece entrar em conflito.

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