O Ceará ficou, pelo segundo ano consecutivo, com o segundo pior rendimento per capita domiciliar mensal do Brasil em 2025: R$ 1.390. O valor é inferior ao salário mínimo do ano passado, que estava em R$ 1.518. Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, divulgada pelo IBGE na última sexta-feira (27). O Estado só ficou à frente do Maranhão (R$ 1.219).

Na Câmara de Fortaleza, o vereador Marcelo Mendes (PL) criticou a falta de atuação do Governo na criação de um “ambiente correto para a geração de riqueza”. “Não é coincidência que nos últimos dez anos o Ceará é liderado por PT, oito anos de Camilo, três anos de Elmano. Nós somos o segundo estado mais pobre da Federação, só perdendo para o Maranhão, que também tem apanhado com o governo de esquerda de PT, que destruiu o Maranhão”.

Para o ex-prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio (União), o resultado é uma consequência direta da falta de projeto de desenvolvimento ao longo dos governos petistas no Estado. “Temos 89 fábricas de calçados fechando as portas e isso impacta diretamente nas famílias que dependiam de um emprego, do salário, com direitos estabelecidos e seguros”.

Roberto Cláudio analisa que o Ceará passa hoje por um processo “progressivo de desindustrialização” e o Governo falha em não apresentar alternativas para os empregos que são perdidos. “O que há é muita conversa fiada e pouca política concreta de desenvolvimento do Estado. Isso envolveria inovações na área de incentivos e investimentos em infraestrutura, como oferta de energia, de água, de estradas e capital humano”.

Ele defende uma aproximação entre o governo do Estado e os empresários, além do fortalecimento da agroindústria acoplada à atividade do campo cearense, a economia digital, entre outras. A perspectiva de Roberto é compartilhada pelo economista Marcos Holanda. O especialista defende que, para atrair novos negócios, o Ceará precisa ofertar as estruturas necessárias para receber essas empresas.

Para o economista, o Governo do Ceará está deixando passar o potencial do Estado por “falta de visão” e procurando uma “solução mágica” para a economia. “Isso é um indicador de que está faltando estratégia, competência, um plano mais moderno para entender o potencial que o Ceará tem e entrar nesse jogo que é muito competitivo e global”.

“Parece que o Estado tem se conformado com as ajudas governamentais, com a assistência do governo. Hoje, quase metade dos cearenses não vive de um emprego de carteira assinada, mas das ajudas e auxílios governamentais. A impressão que dá é que quanto maior a dependência da população, mais o governo parece gostar disso politicamente”, analisa Roberto Cláudio.

Alinhamento partidário contra o Ceará

O ex-ministro da Fazenda Ciro Gomes (PSDB) alertou ainda para a piora do cenário com a aprovação da reforma tributária. A medida acaba com os incentivos fiscais com o crédito na origem do ICMS, prática utilizada pelos estados menos industrializados, como o Ceará, para atrair novas fábricas.

Ciro explica que isso atende a apelos de estados como São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul, que já concentram 84% da produção industrial do Brasil. “Essa dita reforma tributária acabou com isso com o apoio dos governantes do Nordeste, do Ceará, por puro alinhamento partidário”. Segundo o ex-governador, o incentivo permitiu que o Ceará trouxesse, por exemplo, fábricas da Grendene para o Crato. “Era um incentivo em que se compensava a Grendene por trazer a matéria prima lá do pólo petroquímico da Bahia e vender os calçados que produz no Crato e Sobral nos Estados ou Europa”.

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