O ex-ministro da Secretaria de Comunicação Social durante o segundo mandato de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Franklin de Souza Martins, relatou, neste domingo (8/3), ter sido detido na última sexta-feira (6/3) e deportado do Panamá para o Brasil.

No entanto, ao desembarcar por volta da 1h de sexta, Martins foi abordado por dois policiais panamenhos à paisana no aeroporto para apresentar documentos que, afirmou ele, foram entregues de imediato. Após ser levado para uma sala onde prestou esclarecimentos, Martins acabou sendo colocado de volta em um voo para o Brasil, já pelas 14h. “(O interrogatório) deteve-se especialmente no item da minha prisão em 1968, em Ibiúna. Preferi não entrar em detalhes. Respondi apenas que havia sido preso por motivos políticos. O Brasil vivia sob uma ditadura militar e eu havia lutado durante 21 anos contra ela – e isso não era um crime, mas um dever para os democratas”, afirmou o ex-ministro em um relato publicado no site da Associação Brasileira de Imprensa (ABI).

Lembrando que Franklin Martins foi um dos idealizadores e participantes do sequestro do embaixador norte-americano Charles Elbrick em 1969, durante a ditadura militar brasileira. Militante do MR-8 na época, ele ajudou a redigir o manifesto do sequestro.

A ABI publicou uma carta aberta ao embaixador do Panamá no Brasil, Flavio Gabriel Méndez Altamirano. No documento, a instituição questionou toda a condução da passagem de Martins pelo país.

“Sem qualquer explicação, em total desrespeito aos direitos do jornalista – detido arbitrariamente e impedido de se comunicar até mesmo com a Embaixada do Brasil – as autoridades do Panamá se outorgaram o direito de impedir o acesso a outra nação”, dizia trecho do questionamento.

Neste domingo, o ministro das Relações Exteriores do Panamá, Javier Eduardo Martínez-Acha Vásquez, pediu desculpas ao correspondente no Brasil, ministro Mauro Vieira. Na carta, Vásquez chamou o ocorrido com o ex-ministro de Lula de um “incidente”.

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