Os Estados Unidos cancelaram um evento que estava sendo organizado junto com a FAB (Força Aérea Brasileira) e sinalizaram que também devem ficar de fora do principal exercício da Marinha, a Operação Formosa. Os sinais de distanciamento de Washington preocupam o Ministério da Defesa, que tenta blindar o estratégico setor de cooperação militar da crise político-econômica que se instalou entre Brasil e EUA na presidência de Donald Trump.

O Southcom (Comando Sul dos EUA) planejava realizar junto com a FAB a edição de 2025 da Conferência Espacial das Américas. A conferência, que também reuniria outros países do continente, estava planejada para ocorrer de 29 a 31 de julho, em Brasília.

“O evento foi cancelado por decisão dos Estados Unidos no dia 23 de julho”, disse a FAB em nota.

Na frente militar, cresce a incerteza sobre a Operação Formosa, que mobiliza cerca de 2.000 militares, 100 viaturas e oito helicópteros. Desde 2023, os EUA enviam tropas para o exercício, em cooperação crescente. Em 2024, 56 militares americanos participaram, ao lado de tropas chinesas. Neste ano, os fuzileiros navais dos EUA não responderam ao convite, enquanto a China já informou que não participará.

Setores do próprio governo Lula também resistem à presença americana em Formosa, alegando ser inoportuno realizar exercícios conjuntos enquanto Washington mantém sanções contra o Brasil. Militares da Marinha veem, ainda, reação ao fortalecimento dos laços militares entre Brasil e China, que desde o ano passado envia tropas a exercícios no país. O governo brasileiro decidiu ampliar a representação em Pequim, com o envio de um oficial-general para a embaixada.

Apesar do cancelamento e da incerteza na Formosa, oficiais-generais afirmam que não há rompimento na cooperação militar. Em julho, cargueiros americanos participaram do Exercício Conjunto Tápio em Campo Grande (MS). Para novembro, segue em planejamento a Operação Core 2025, entre Exército brasileiro e forças dos EUA, com foco em padronizar procedimentos em missões de paz.

Os gestos de distanciamento vêm após a visita ao Brasil do chefe do Comando Sul, almirante Alvin Holsey, marcada por mal-estar. Os EUA solicitaram visita a uma base do Exército em Rio Branco (AC), pedido que gerou estranhamento. Após recusa brasileira em alterar o itinerário para Manaus, a agenda do almirante ficou restrita a Brasília.

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